Building bricks for a day / Trabalhar nas obras!

Trip Start Jun 16, 2010
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132
600
Trip End Dec 31, 2012


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Tashi yed home stay

Flag of India  , Sikkim,
Monday, October 25, 2010

Hoje fui "trabalhador nas obras". Não experienciei, porem, a vertigem do andaime, com o correspondente impulso para entoar uns piropos ordinarões às meninas lá em baixo. Também não haviam meninas por perto, nem “lá em baixo”. Mas uma grande experiencia. Tudo se deveu a um conjunto de decisões erradas, umas horas, uns minutos antes. O plano era ir a pé para Tashiding, uma pequena cidadela a cerca de 20km. Existe um caminho nas montanhas em que é possível fazer um trekking fantástico, passando por uma série de aldeias perdidas nas alturas. O começo é sempre complicado. E, após confirmar com dezenas (vá, não foram assim tantas) de pessoas, fizemo-nos à estrada, e rapidamente acabámos... na estrada, de baixo, alcatroada, longe dos píncaros da montanha. Deveríamos ter seguido sempre os caminhos a subir. Encontrámos alguns pastores pelo caminho que nos asseguraram que era “por ali”. E era, mas pela opção menos deslumbrante: a estrada lá em baixo. Conclusão: após uma hora, estávamos a cerca de cinco quilómetros de Yuksom. Não havia tempo para tentar novamente uma vez que tínhamos já partido tarde de mais, às 11 horas. Deveria ter sido às 7 horas da manhã. No caminho de volta a Yuksom, pela mão da tentativa falhada, encontrei uma paragem de autocarro. Descansei 10 minutos. Junto a ela, um homem fazia tijolos de cimento. Tinha uma forma rectangular, cimento misturado com pedras e terra, um balde de água e duas pás e espátula. Observei por vários instantes. “Vou ajudar-te para ires mais cedo para casa”, disse-lhe. Eu tinha todo tempo do mundo. Preferia estar ali a conhecer as suas motivações e objectivos. Por cada tijolo recebe 3 Rúpias (60 rúpias = 1 Euro), 5 centimos. Ontem fez 60 tijolos, trabalhou bem. Hoje estava pouco avançado. Fiquei com ele três horas. Misturar o cimento com água, terra e pedras; preencher a forma; compactar o cimento; finalizar o topo; reposicionar a forma de madeira e reiniciar todo o processo. Fazer um tijolo demora, em média, contando com a produção do cimento e ir buscar a água à fonte, cerca de 5/7 minutos. Mas o senhor distrai-se muito facilmente. Basta ouvir o barulho de um motor, para ficar na expectativa, seguindo o barulho com os olhos até este o cruzar com a curva onde estamos a trabalhar. Tem 30 anos, casou há um ano. A mulher é doméstica. Os pais vivem perto. É boa pessoa. Fizemos juntos uns 30 tijolos. Tinha feito 15 antes. Hoje recebeu 45*3 =135 Rs (cerca de 2,25 euros). No total tem de completar cerca de 700 tijolos para iniciar a construção de uma casa para a pessoa que o contratou. Foi mais cedo para casa. Segui o meu caminho até Yuksom com um sorriso na cara. Apesar de não saber agradecer, talvez pela timidez que caracteriza o baixo tom de voz, senti que ficou feliz. Eu mais do que ele, penso. E assim se abrem portas a algumas ideias para o futuro. Não trabalhar nas obras, claro (a estrutura “lingrinha” não me permitiria durar muito tempo), mas outros voos.
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