Congo (Fr+Pt)
Trip Start
Aug 21, 2008
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Trip End
Ongoing

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Je craignais une réception agressive de la part des autorités congolaises et du premier regard leurs têtes de voyous m'ont faire croire au plus probable: "ils vont trouver un moyen de m'embêter pour m'alléger de mes maigres économies". Eh ben je me suis trompé. Dès qu'ils se sont rendu compte que j'étais angolais c'était la fête, ils m'ont même parlé avec une certaine déférence et me demandaient permission pour fouiller un tout petit peu mon sac "si cela ne vous gène pas". J'ai eu droit à une démonstration des phrases en portugais qu'ils avaient appris lors de leur formation militaire en Angola, de laquelle ils en étaient plus que fiers. Je dois passer la nuit à la frontière et quand j'approche le chef de l'immigration pour lui demander permission de planter ma tente, il refusa me disant que je dormirais dans une chambre qu'il s'offrait à payer. C'est bien parti. Lendemain matin je fais le tour pour dire au revoir à tout le monde, remercier l'accueil et je prends la route. Juste derrière, un camion qu'arrivait du Gabon et que venait charger le manioc pas très loin de la frontière. Monte! La mission aujourd'hui c'est de faire la route déserte de 38 km jusqu'à Nyanga. Si je peux me faire avancer davantage tant mieux, mais cela s'avère un tout petit peu compliqué car la route est tellement éclaboussée que seuls les poids lourds se lancent dans l'aventure et à la frontière le mot que circulait c'était qu'ils n'attendaient que deux, le deuxième étant en fin d'après-midi. Il en avait un troisième dont ils n'avaient pas le renseignement et qu'allait jusqu'à Nyanga, sauf qu'à mi-chemin il s'est solidarisé avec son camarade qu'était complètement embourbé et voyant que le secours allait prendre trop de temps, j'ai décidé de reprendre la marche.
Crescendo em Angola ficamos com uma ideia muito negativa dos congoleses, mas eles são muito parecidos connosco, fisionomicamente e em termos comportamentais, para além do facto que falam a mesma língua que no Norte de Angola, o Kikongo, ou Monokotuba como também lhe chamam. Isto para dizer que já esperava que me fossem pentear gravemente na fronteira, mas para meu grande espanto, quando viram o meu passaporte fizeram-me quase uma festa, instruindo-me sobre o que tinha de anunciar dali p'ra frente as autoridades para que ninguém me pedisse dinheiro «diz que és turista, nós não pedimos dinheiro aos turistas ».
Objectivo do dia seguinte: Pointe-Noire, a 30 km da fronteira com Cabinda. Ainda era um esticão de 350 km, algo ambicioso para quem só tinha feito 30 km nesse dia. Às duas e meia da manhã, depois de 3 avarias no camião onde seguia, fui depositado a 30 km de Pointe-Noire, num comissariado. Missão (quase) cumprida, mas digo-vos, muito dolorosa. Só conseguia pensar no burrinho do Shrek a perguntar "ainda falta muito?" e acho que se esta fosse a viagem para o Reino do bwé bwé longe, teríamos de acrescentar mais uns três "bwé" antes do "longe" e o Shrek acabaria por perder a cabeça e arrancar a do burrinho a soco.
Foi então no dia seguinte, 25 de Fevereiro, por volta das 16h30 que percorri os últimos 10 passos da no man's land entre o Congo e a província de Cabinda.
Mais vista
Il manquait une vingtaine de km, j'en ai fait 16 en marche et pour les 4 derniers un gendarme m'a cueilli en moto. Il s'est mit en des difficultés pour l'avoir fait et le chef de poste du commissariat de Nyanga a voulu me demander de payer 2 litres d'essence pour combler l'erreur du policier. J'ai, bien entendu, résolument refusé. Les 300 km qui me séparait de Pointe Noire furent douloureux à parcourir, les routes sont dans un très mauvais état, le goudron étant pas plus qu'une mirage de ce qu'il fût un jour, un jour fort éloigné, caché dans les ténèbres de la période colonial. Mais j'ai réussi. A 2h du matin on me dépose devant le commissariat du village à 30 km de Pointe Noire (autres 30 km jusqu'à la frontière). L'anxiété commence à remplir mon âme, je sens déjà l'Angola juste devant et plus proche à chaque pas, plus proche, je me fais avancer, plus proche, j'ignore la fatigue, j'ignore la chaleur, j'ignore l'accumulation de poussière qui me salit jusqu'à l'âme, avec une seule certitude dans mon coeur : aujourd'hui j'atteins Cabinda, l'Angola, aujourd'hui je serais chez moi. Crescendo em Angola ficamos com uma ideia muito negativa dos congoleses, mas eles são muito parecidos connosco, fisionomicamente e em termos comportamentais, para além do facto que falam a mesma língua que no Norte de Angola, o Kikongo, ou Monokotuba como também lhe chamam. Isto para dizer que já esperava que me fossem pentear gravemente na fronteira, mas para meu grande espanto, quando viram o meu passaporte fizeram-me quase uma festa, instruindo-me sobre o que tinha de anunciar dali p'ra frente as autoridades para que ninguém me pedisse dinheiro «diz que és turista, nós não pedimos dinheiro aos turistas ».
Acidentes...acontecem
Até me requisitaram com muito jeitinho autorização para dar uma vista de olhos na mochila, coisa que fizeram apenas superficialmente. Depois só quiseram exibir o português que tinham aprendido quando vieram em formação militar para Angola « no Kapolo 2 ». Eu tinha de passar ali a noite, por isso dirigi-me ao chefe de posto da imigração para lhe pedir autorização de enfiar a tenda por ali, algures. Ele respondeu negativamente, dizendo que tinha de dormir em condições na pousada que ali havia. « Mas eu não tenho dinheiro ». « Então pago eu ». Waaauuuu. Totalmente inesperado, os congoleses estão a revelar-se tão hospitaleiros como o resto do pessoal que fui encontrando no meu caminho descendente. As estradas é que figuram entre as piores. O meu objectivo no dia seguinte quando me levantei pela fresquinha era conseguir chegar a primeira cidade importante, Nyanga, a meros 37 km da fronteira (lembrem-se que alguns dias antes, no Gabão, fiz 400 km no mesmo dia). A estrada tem de se por entre aspas, está mais escavacada do que a boca da Gabriela Antunes (que descanse em paz e não me venha puxar os dedos dos pés no sono) e somente os camiões se aventuram por lá. Nesse dia, disseram-me os polícias fronteiriços, só esperavam dois, um de manhã que não ia muito longe e um mais para o fim da tarde que deveria ir até Nyanga. Avancei 5 km com o primeiro e como é lógico não ia esperar o segundo, fiz-me avançar com o meu motor natural, os butes, o meu wolkspata. Depois de hora e pouco de caminhada, ouvi o ronronar de um motor aproximando-se ao longe.
A vista 1
Era um inesperado camião que me colheu e se propôs levar-me até ao meu objectivo, tendo no entanto sido desviado dessa vontade por uma solidariedade que apreciei com o seu camarada camionista, completamente enterrado na lama. Faltavam 20 km até Nyanga. Andei 15 e depois apareceu um motoqueiro, que afinal era polícia de fronteira (não da mesma por onde entrei) e que acabou por se meter em dificuldades com o seu superior hierárquico por me ter dado boleia. Fui chamado por este último que queria confirmar a estória do seu subordinado e cobrar-me dois litros de gasolina por essa boleia inusitada. Encontrou um muro, eu limitei-me a dizer que não pagaria nada "e arranja mazé é um sítio para um gajo dormir". Ele insistiu, mas encontrou sempre a mesma frieza na resposta. Acabou por deixar cair e deu-me um cantinho para passar a noite.Objectivo do dia seguinte: Pointe-Noire, a 30 km da fronteira com Cabinda. Ainda era um esticão de 350 km, algo ambicioso para quem só tinha feito 30 km nesse dia. Às duas e meia da manhã, depois de 3 avarias no camião onde seguia, fui depositado a 30 km de Pointe-Noire, num comissariado. Missão (quase) cumprida, mas digo-vos, muito dolorosa. Só conseguia pensar no burrinho do Shrek a perguntar "ainda falta muito?" e acho que se esta fosse a viagem para o Reino do bwé bwé longe, teríamos de acrescentar mais uns três "bwé" antes do "longe" e o Shrek acabaria por perder a cabeça e arrancar a do burrinho a soco.
Foi então no dia seguinte, 25 de Fevereiro, por volta das 16h30 que percorri os últimos 10 passos da no man's land entre o Congo e a província de Cabinda.
