Nigéria (Eng+Pt)
Trip Start
Aug 21, 2008
1
82
88
Trip End
Ongoing
Nigeria was odd. I was expecting it beforehand because all I remember hearing from the vast lands of Nigeria ever since I was a little boy were bad, nasty, vile things. Then, Nigerian music caught my heart, first by the likes of the supreme Fela Kuti and afterwards, gradually, by a host of other rather talented contemporary artists such as Keziah Jones and Asa. The urge of knowing Lagos, see with my own two eyes the infamous Kalakuta Republic (Fela's neighbourhood) and try to breathe the air that inspired such totems became unbearable and the further I got close to it, the harder that desire burnt inside me. Things didn't happen in such a way to favour this visit, so, no hard feelings, but I had to skip Lagos for the time being. The immigration officer on the Benin side was so concerned for my safety, she insisted in getting someone to put me in a taxi and paid for it. That crippled my chances of getting free accommodation with the guy that would have picked me up had I hitchhiked. Plus, we've idled for over two hours before the taxi finally left the border until the vehicle was fully loaded with passengers and that further reduced my chances of making a small tour through Lagos and bumping into my future host
6 hours after my arrival, I was on a night bus to Abuja to go see my embassy and ask them for assistance to sort out visas for the following countries. I will spare you the details of the time it took me to find it, the time it took after I did find it to be allowed in my own country's embassy, the incompetence of our diplomatic staff and just tell you that after they finally realised what I was up to, they treated me really well, placed me in a hotel while waiting for the visas to be endorsed, with some pocket money for trivial spending. I even allowed myself some small luxes, such as buying a Mars candy bar made in Saudi Arabia, tasting as if it has gone past its prime and two Cerelac tins which I devoured in three days. Yummy. I could also take the time to relax and watch the news, all of them bad in a world gone mad. When the passport finally came out, the lack of intelligence of our diplomats once more came under the spotlight when I saw the number of days I was to be allowed in each country and the date from which the visas were to become effective and to expire. We were the 13th of February and the following countries were in this order: Cameroon, Gabon and Congo. The visa demanded by my embassy to the Gabonese embassy was to last 3 days and it started taking effect, imagine... on the 13th of February! Clever hum?
I had mixed feelings about Nigeria, that is out of all countries I've travelled, the first where I found the first unsympathetic people, very rude I'd say, but it would be unfair to quick judge the whole country on those grounds without taking into consideration what differs it from the rest and there is a very key element one should account for: there are about 140 million souls in a soulless society, it's the most populated country in Africa, Lagos alone have some 9 mil (more than the population of London), one is bound to bump into less friendly people to say the least
Nigéria! Para quem acompanha o blog desde o início sabe que esta seria uma etapa a parte, uma etapa especial da qual não sabia o que esperar. A viagem foi separada em 4 blocos, a Nigéria sendo o único país que por si só constituía um bloco. As suspeições tinham razão de ser e justificaram-se: a Nigéria É MESMO um país a parte. Logo aos primeiros metros (e não se trata de uma hipérbole) as autoridades nigerianas garantem que a recepção seja especial e "acalorada", com checkpoints quase violentos a cada 10 metros ainda na zona da fronteira e a cada kilómetro uma série de 3 ou 4 barreiras de polícias de AK separadas por escassos 50 metros. Todos com ares de poucos amigos deixando a ideia que existe algum tipo de instabilidade no território, ou que andam mesmo só a caça do salário, extorquindo todos os cêntimos possíveis aos utentes da via. Resultado, os escassos 130 km da fronteira até Lagos são um autêntico inferno. Infelizmente não consegui oferta para ficar em Lagos a não ser depois de já ter mudado de ideias sobre ir ou não a Abuja, a capital
Na embaixada me barraram a entrada por causa dos calções. Um niju m'emprestou as calinas dele que nem fechavam na minha cintura, mas deu para enganar, so que mesmo assim a mensagem que voltava da secretaria era "liga para este número para marcar audiência que está toda a gente muito ocupada". Eu vociferava raios e coriscos, só que vendo o esforço impotente da segurança que não conseguia passar pela secretária decidi simplesmente me sentar a frente do portão e não me mexer dali até que alguém me recebesse. Quando finalmente me fizeram entrar na fortaleza e passei pelo olhar de ódio da secretária, fiquei sem perceber qual era a coisa que mantinha toda a gente tão ocupada que não pudessem receber um compatriota em dificuldade: não havia vivalma! Vou evitar falar da competência do nosso corpo diplomático, pois dizer que é duvidosa seria estar a ser condescendente. Quando finalmente perceberam ao que vinha e o que estava a fazer, trataram-me com muita deferência e aquele carinho contido de fato e gravata: propuseram-se arranjar-me não dois, mas os três vistos que me faltavam até Angola evitando-me assim uma paragem em Libreville (Gabão), meteram-me num hotel enquanto aguardava que o passaporte fizesse o tour das embaixadas em questão (Camarões, Gabão e Congo) e um coxe de massa no bolso para refeições e outros mambos. Até me permiti a dois luxos: uma barra de Mars que no entanto tinha um sabor estranho, não sei se era porque tinha apanhado muito sol ou se porque tinha sido fabricado na Arábia Saudita e duas latinhas pequenas de Cerelac que pitei em 3 dias. Comi muito ananás e plantain (banana pão) e aproveitei para seguir um pouco as notícias, vi quando o Scholari foi com os porcos, os fogos na Austrália e os tornados nos EUA, os ventos ciclónicos na Europa que obrigaram a fechar os aeroportos em Paris e o avião que caiu em Buffalo, em suma, vi que o mundo continua um antro de loucos onde o simples facto de respirar é cada vez mais perigoso, onde a fragilidade do ser humano lhe é lembrada com cada vez mais frequência apesar da teimosia deste último em se achar "larger than life". A embaixada deu mais uma bandeira com o pedido dos vistos, nomeadamente com o do Gabão onde só pediram 3 dias a começar do dia 13. Dia 13 foi o dia em que recebi o passaporte e ainda me faltava atravessar até ao sul da Nigéria e todo os Camarões antes de chegar ao Gabão. Não foi lá muito racional, mas é naquela base, esqueçamos isso.
A Nigéria foi um país particular, mas seria muito injusto da minha parte julgar o país inteiro pelos maus elementos que também lá habitam, pelo menos sem contextualizar um pouco a situação demográfica, étnica, religiosa e socio-económica altamente complexa que impera nessa grande Nação: são 140 milhões de cabeças (1/4 da população total de África) num território altamente rico onde essas riquezas são desequilibradamente divididas, tendo sido criado um fosso abismal entre poucos que ostentam e muitos que gostariam de ostentar. Parece-vos familiar? Hei de voltar para conhecer Lagos, se calhar com o meu dreda Pedro Fazuma.
Abuja01
. The actual distance to Lagos from the border doesn't go above 130 km but going the first 60 is ABSOLUTE HELL!!! The number of improvised checkpoints every 50 meters and the aggressiveness of the makeshift, money thirst officers, a great number of them not even wearing uniforms (the ones who were being usually rowdy faced, battered with muscles and sporting their AK's in a menacing manner), was absolutely intimidating. I readily assumed this was their very intention: be as scary as possible to better extort money from little scared puppies. My fellow passengers informed me that what I was seeing was nothing; I was lucky it was a Sunday and all of the weeklong sinners had gone to church to confess and purge them, so they could start over the following working day, that usually the checkpoints can be twice as many. Unbelievable. So there I was on the outskirts of Lagos, in a place that looked like a refugee camp where chaos reigned, surrounded by grimy looking individuals going about their (shady) business and giving me unpleasant looks. I ignored them until I was spoken to and when that happened, I didn't allow the time for animosity to settle, a big smile and my full attention were enough to turn a bad intentioned brother into a friendly fellow. Some of these hoodlums who could have easily strip me naked of my belongings in a different occasion, ended up giving me money for the journey, getting me a cheaper ticket for my bus to Abuja, feeding me and telling me about their country, their differences, their struggles
Abuja02
. 6 hours after my arrival, I was on a night bus to Abuja to go see my embassy and ask them for assistance to sort out visas for the following countries. I will spare you the details of the time it took me to find it, the time it took after I did find it to be allowed in my own country's embassy, the incompetence of our diplomatic staff and just tell you that after they finally realised what I was up to, they treated me really well, placed me in a hotel while waiting for the visas to be endorsed, with some pocket money for trivial spending. I even allowed myself some small luxes, such as buying a Mars candy bar made in Saudi Arabia, tasting as if it has gone past its prime and two Cerelac tins which I devoured in three days. Yummy. I could also take the time to relax and watch the news, all of them bad in a world gone mad. When the passport finally came out, the lack of intelligence of our diplomats once more came under the spotlight when I saw the number of days I was to be allowed in each country and the date from which the visas were to become effective and to expire. We were the 13th of February and the following countries were in this order: Cameroon, Gabon and Congo. The visa demanded by my embassy to the Gabonese embassy was to last 3 days and it started taking effect, imagine... on the 13th of February! Clever hum?
I had mixed feelings about Nigeria, that is out of all countries I've travelled, the first where I found the first unsympathetic people, very rude I'd say, but it would be unfair to quick judge the whole country on those grounds without taking into consideration what differs it from the rest and there is a very key element one should account for: there are about 140 million souls in a soulless society, it's the most populated country in Africa, Lagos alone have some 9 mil (more than the population of London), one is bound to bump into less friendly people to say the least
Abuja03
. There were also a lot of nice guys I've spoken to and had the chance to come across. The African spirit is still there, a bit diluted by their very peculiar economical and political reality, but gladly it is still there. I´ll be back to know Lagos, that's a promise. Nigéria! Para quem acompanha o blog desde o início sabe que esta seria uma etapa a parte, uma etapa especial da qual não sabia o que esperar. A viagem foi separada em 4 blocos, a Nigéria sendo o único país que por si só constituía um bloco. As suspeições tinham razão de ser e justificaram-se: a Nigéria É MESMO um país a parte. Logo aos primeiros metros (e não se trata de uma hipérbole) as autoridades nigerianas garantem que a recepção seja especial e "acalorada", com checkpoints quase violentos a cada 10 metros ainda na zona da fronteira e a cada kilómetro uma série de 3 ou 4 barreiras de polícias de AK separadas por escassos 50 metros. Todos com ares de poucos amigos deixando a ideia que existe algum tipo de instabilidade no território, ou que andam mesmo só a caça do salário, extorquindo todos os cêntimos possíveis aos utentes da via. Resultado, os escassos 130 km da fronteira até Lagos são um autêntico inferno. Infelizmente não consegui oferta para ficar em Lagos a não ser depois de já ter mudado de ideias sobre ir ou não a Abuja, a capital
Washing up
. Estava sem kumbu e sem vontade de passar outros 10 dias na fronteira Nigéria-Camarões sem visto, sobretudo de passar esses dias do lado nigeriano onde só me deram 7 dias de estadia. Abuja seja!Na embaixada me barraram a entrada por causa dos calções. Um niju m'emprestou as calinas dele que nem fechavam na minha cintura, mas deu para enganar, so que mesmo assim a mensagem que voltava da secretaria era "liga para este número para marcar audiência que está toda a gente muito ocupada". Eu vociferava raios e coriscos, só que vendo o esforço impotente da segurança que não conseguia passar pela secretária decidi simplesmente me sentar a frente do portão e não me mexer dali até que alguém me recebesse. Quando finalmente me fizeram entrar na fortaleza e passei pelo olhar de ódio da secretária, fiquei sem perceber qual era a coisa que mantinha toda a gente tão ocupada que não pudessem receber um compatriota em dificuldade: não havia vivalma! Vou evitar falar da competência do nosso corpo diplomático, pois dizer que é duvidosa seria estar a ser condescendente. Quando finalmente perceberam ao que vinha e o que estava a fazer, trataram-me com muita deferência e aquele carinho contido de fato e gravata: propuseram-se arranjar-me não dois, mas os três vistos que me faltavam até Angola evitando-me assim uma paragem em Libreville (Gabão), meteram-me num hotel enquanto aguardava que o passaporte fizesse o tour das embaixadas em questão (Camarões, Gabão e Congo) e um coxe de massa no bolso para refeições e outros mambos. Até me permiti a dois luxos: uma barra de Mars que no entanto tinha um sabor estranho, não sei se era porque tinha apanhado muito sol ou se porque tinha sido fabricado na Arábia Saudita e duas latinhas pequenas de Cerelac que pitei em 3 dias. Comi muito ananás e plantain (banana pão) e aproveitei para seguir um pouco as notícias, vi quando o Scholari foi com os porcos, os fogos na Austrália e os tornados nos EUA, os ventos ciclónicos na Europa que obrigaram a fechar os aeroportos em Paris e o avião que caiu em Buffalo, em suma, vi que o mundo continua um antro de loucos onde o simples facto de respirar é cada vez mais perigoso, onde a fragilidade do ser humano lhe é lembrada com cada vez mais frequência apesar da teimosia deste último em se achar "larger than life". A embaixada deu mais uma bandeira com o pedido dos vistos, nomeadamente com o do Gabão onde só pediram 3 dias a começar do dia 13. Dia 13 foi o dia em que recebi o passaporte e ainda me faltava atravessar até ao sul da Nigéria e todo os Camarões antes de chegar ao Gabão. Não foi lá muito racional, mas é naquela base, esqueçamos isso.
A Nigéria foi um país particular, mas seria muito injusto da minha parte julgar o país inteiro pelos maus elementos que também lá habitam, pelo menos sem contextualizar um pouco a situação demográfica, étnica, religiosa e socio-económica altamente complexa que impera nessa grande Nação: são 140 milhões de cabeças (1/4 da população total de África) num território altamente rico onde essas riquezas são desequilibradamente divididas, tendo sido criado um fosso abismal entre poucos que ostentam e muitos que gostariam de ostentar. Parece-vos familiar? Hei de voltar para conhecer Lagos, se calhar com o meu dreda Pedro Fazuma.



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ARQUITETURA MODERNA PAISAGISMO ZERO
Há arquitetura moderna em quase todos os países do mundo. Essa postagem do Luati revela a imposição modernista numa paisagem árida. Aonde está o paisagismo?!