So paro no Mali

Trip Start Aug 21, 2008
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Trip End Ongoing


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Flag of Mali  ,
Friday, November 28, 2008

O kota ia até Bamako, todos me disseram que era a maneira mais facil de entrar no Mali para depois ir até ao Burkina. Mas graças (ou por culpa) ao francês em Mbour (Senegal) que me ofereceu o mapa, eu vi que havia outra via, que todos se apressaram a desaconselhar, mas que me evitava fazer um V invertido de 400 km e voltar a passar por um sitio que ja conhecia. Segui pela estrada de terra batida até Mandiana, a ultima perfeitura (cidade) da Guiné, ainda a uns valentes km da fronteira. A primeira boleia até foi relativamente facil, uma pickup que me avançou 60 km para me deixar a 25 de Mandiana. Deu para perceber porquê que a estrada era tão desaconselhada, a buracada aliada à velocidade da pickup fez com que esse trajecto de hora e tal de duração se tornasse numa autêntica prova de atletismo, tendo saltado da « quintal da jipi » com, para além de um grande banho de terra vermelha que me deixava todo ruivo, dores musculares (sobretudo do derrego) que levaram alguns minutos a passar. Percebi que não poderia havre muitos carros usando essa via e confirmei isso caminhando 4 horas com uma so viatura tendo passado no meu sentido, contra duas no outro. Vi a minha primeira serpente, 1m e picos, amarela, tinha ar assustadiço e quando me virei para apanhar algo para a afugentar ela ja tinha tido o cuidado de desaparecer entre a folhagem. Como um burro não tive o instinto de fotografar. O susto so veio quando cansado de caminhar com o meu saco de tijolos e meio resignado com a realidade da situação, fui procurar uma sombra para meter a tenda e me dei conta que TODO aquele terreno era rochoso, mas de um material absolutamente impenetravel. Dormir ao relento sabendo da existência de serpentes no local deu-me um semi arrepio e por isso arrepiei caminho, agora obstinado com Mandiana, levasse o tempo que levasse. Algumas motas iam passando de regresso a casa e foi uma delas, ja o Sol se tinha deitado ha bwe, pleno crepusculo (lusco-fusco, 5 a 7 minutos eh eh), o mano aceita carregar-me com ele e postos em Mandiana me pergunta : « Levo-te para casa ou... ? ». Bonus ! Tenho jantar e caminha. Dia seguinte bem cedinho tenho mais 27 km para fazer até Morodougou (Lisboa-Cascais ou algo como Marginal-Lar do Patriota) e fiz 26 à pé até que outra motoca me avançasse o pouco que sobrava. Ali posto, sentei na primeira barraca e fiz o meu show, com toda a criançada da aldeia a volta. As ofertas de serviço choveram cada uma a seu preço, para boleia até a fronteira até que um gorducho bonacheirão irrompesse pela multidão e impusesse a sua voz para me fazer repetir pela enésima vez que queria ir até a fronteira mais proxima que so queria sair da Guiné. Foi o mais vivo e puxou-me para o lado para negociarmos. 45 segundos depois estava a tomar banho na casa dele e a servirem-me de comer para aguardar um possivel camião nocturno que so chegou de manhã. Antes de partir conversei um coxe com ele e confessou-me que tinha 3 profissões, sendo a terceira a mais interessante : Feiticeiro. Não gosto de me aventurar por esses mundos mas o dread soube-me dar a volta e como também não cortei a conversa acabou por me ler a sina. A maior parte das coisas posso até dizer que me soaram a fanfarronice, mas houve outras que me deram aquela sensação de pele de galinha partilhada entre o medo e um profundo respeito por esse mundo da macumba, respeito que aprendi a ter pelas coisas que não conheço ou que não consigo explicar com a logica (Kimi talvez com a fisica quantica né ? Aguardo ansioso esse dia eh eh). Zarpei dali com uns militares até a uma aldeola que ficava a 5 km da fronteira, kilometragem essa percorrida num apice. A fronteira era um rio e atravessei de canoa. Altamente, nem havia imigração nem de um lado nem do outro. Cheguei ao Mali.
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Comments

saleirofilho
saleirofilho on Dec 1, 2008 at 08:03AM

TRILHANDO A MATA E O SERTÃO
As fotos documentam o seu percurso quer na mata quer no sertão. Como arquiteto gostaria de conhecer a palhota que está atrás do Luati e do feiticeiro.

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