Mauritania

Trip Start Aug 21, 2008
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Trip End Ongoing


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Flag of Mauritania  ,
Thursday, September 18, 2008

Foi um mau bocado que passamos para conseguir entrar. O posto de fronteira esta dividido em 3 subsecções, nos ficamos barrados logo na primeira porque o Sr. Baby não tinha a procuração aparentemente necessaria do titular do veiculo, apesar de ter todos os papeis e mais alguns, sem procuração o carro não entra na Republica Islâmica da Mauritânia. Durante duas horas destilamos, esperamos pacientemente que o senhor percebesse que não tinhamos como dar gasosa, que nem tinhamos gasosa para chegar a cidade mais proxima, mas ele continuou inamovivel. Tive de usar a carta do ramadão e recente adquirida diarreia e uma chamada telefonica para o proprietario da viatura para o senhor começar a trocar a expressão carrancuda por uma mais ligeira e sorridente.
Quando finalmente passamos a segunda etapa, a dos vistos, ja estava tão cansado que não quis mais discutir a questão do passar gratuitamente. Paguei o meu e o do Baby. 40 euros ao todo. Sobraram-me 15 e ainda so estou na primeira fronteira onde supostamente ia discutir a possibilidade de me darem um carimbo gratuito no passaporte. As coisas terão de ser diferentes daqui para a frente.
 
 
Nouadhibou
 
Conseguimos sair  da fronteira 4 horas depois de la termos chegado, mas sem seguro do carro. Iam chatear-nos de certeza. O primeiro posto de controlo era a um curtissimo km de distância. Um rapaz senegalês de seu nome Momo « ofereceu-se » para nos guiar até a cidade. Antecipando o interesse da oferta, fomos logo avisando que não tinhamos dinheiro nenhum, mas acho que a matricula francesa fez com que não atribuisse tanta importância ao vocabulo NENHUM, pior, com o decorrer da noite e depois de alguma conversa, vendo a nossa situação, continuou a achar que o nosso « nenhum » fosse relativo e insistiu que dormissemos na pensão dele por um preço a discutir. « Não podemos discutir porque não temos nada ». Resignado « ofereceu » a garagem para estacionarmos o carro e dormirmos mais descansados. « Mas ofereceu mesmo Baby ? ». "Sim, ele percebeu finalmente que estamos a 0".
Manhã seguinte antes de abalarmos caiu a cortina : « Paguem ! ». « Vai te foder, não pagamos ». Quis bilar, foi chamar a policia. Cagamos e bazamos. Demos umas voltas pela cidade. Não podiamos ir a lado nenhum, estavamos na reserva. Fizemos um tempo e o Baby voltou a tentar vender aparelhos e aparelhometros, por preços cada vez mais baixos, mas alguns ainda absurdos. Sem sorte. Sorte que haveria de aparecer na forma de um taxista da Guiné Bissau chamado Nino (como o Vieira), que nos fez segui-lo até a casa dele e nos deu de comer um delicioso Domodah (arroz com um molho que contém tomate, batata doce e peixe). Deixou-nos tomar um duche. Segundo duche da viagem. Comprou umas bugigangas ao Baby, algumas mais por pena que por vontade e encheu-nos o deposito, o suficiente para chegarmos a Nouakchott.
Enquanto estavamos atarefados nas nossas vendas o Momo apareceu. Parecia mais convencido ainda que chateado e insistindo na divida. « Não vão mesmo pagar ? » « Não PODEMOS MESMO pagar, se tivessemos dinheiro achas que ainda estariamos aqui, 5 horas depois de termos discutido ? ». Foi-se embora, chateado, mas não voltou a importunar-nos. Que chato, tinha sido tão simpatico na noite anterior, mas estragou tudo com essas manhas de cabrão. A noite alias tinha sido altamente. Não foram precisos mais de 15 minutos estacionados para alguém me convidar a jantar. Uns rapazes da Gâmbia que estavam ali ha 7 anos para... surpresa... tentar atravessar para as Canarias. Viviam num ximbeco fétido com mais algumas familias de origens e confissões distintas. Conversei com uma rapariga tchadiana que era refugiada e que tinha perdido o seu marido em ... Angola. Ha com cada coincidência. Requesitei o WC, que era como os outros todos em Marrocos, um furo no chão. Dei a real dibingada diarreiatica acompanhada de violentas explosões gasosas. Era ainda o primeiro dia com revoluções intestinais (pontadas dolorosas) e merda meio liquida, mas não uma verdadeira diarreia que nos deixa colados a pia dias inteiros. Comi com os rapazes. Deram-me endereços de familiares na Gâmbia e disseram que fosse la visitar que seria alojado sem problema nenhum. Um deles depois veio dar-me conversa mais tarde, ja eu estava alongado no carro a dormir. Ofereceu-me o que eles chamam « biscoito dos parvos », que segundo ele, tem dois efeitos : cura diarreia se estiveres mal e da diarreia se estiveres bem. Eu encaixava no primeiro caso. Agradeci e comi. Quando soube que a minha mãe vivia em Portugal, pediu contacto, caso conseguisse chegar a Europa, no caso de algum aperto pedir ajuda. Não soube como negar-lhe isso, apesar de me sentir pouco à vontade para meter terceiras pessoas em coisas que elas não procuraram. Dei o numero (mãe prepara-te para desenmerdares um gambiano pois caso ele chegue até ai, coisa que é altamente improvavel, acredita que passou por muito momento amargo, alguma elucidação e ajuda na medida do possivel sera mais que bem vinda). Este rapaz, Yaya, quando soube que eu ia para Angola disse « baza, eu vou contigo ». « Mas eu ainda vou visitar os outros paises e vou a boleia ». Pelo menos parece pronto a mudar de rota, o que mostra também o seu desespero por tentar algo novo. A conversa desses rapazes todos é a mesma : « vou trabalhar e casar com uma branca e construir uma vida e enriquecer , porque deus esta do meu lado e deus é todo poderoso, a minha fé vai levar-me adiante, podes fazer tudo se realmente acreditares, o Maradona quando era miudo ja dizia que treinava para ser campeão do mundo ». Não sei o que sentir, se admiração pela coragem de deixar tudo para tras, sobretudo a familia, ou pena pela tamanha ingenuidade destes seres humanos despidos à força da sua dignidade. Todos tão generosos, todos tão sem nada.
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Comments

ulienge_morais
ulienge_morais on

Es um vencedor por excelencia!
LUATY, espro k esteja tudo a correr fixe.Foi com grande satisfacao, admiracao e orgulho k tomei conhecimento dessa tao grandiosa aventura de vida!Logo fikei invejado, por nao poder participar dela, mas contente por saber k estas a fazer algo muito fixe e louko.Kero t imformar k estou seriamente a pensar em join your trip, la pela nigeria ou mesmo a partir da costa do marfim!
Pensa nisso e diz-me s posso participar, visto k essa viajem parece ser algo muito pessoal.
Um beijo bem grande nesse coracao e mente enorme-LUATY-

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