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<title>ikono&#x27;s TravelStream&#x2122; &#x2014; Recent TravelPod.com entries</title>
<description>TravelStream&#x2122; news feed for member ikono on TravelPod&#x27;s free travel blogs service</description>
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<copyright>Copyright &#xA9;2009 TravelPod.com</copyright>
<pubDate>Fri, 27 Mar 2009 22:44:02 -0400</pubDate>
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    <title>Despedida &#x2014; Luanda, Angola</title>
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    <pubDate>Fri, 27 Mar 2009 22:44:02 -0400</pubDate>
    <description>Doce Vertigem</description>
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        <table border="0" cellpadding="0" cellspacing="10" align="right" width="250">
            <tr><td valign="top" align="center">
                <div style="width:250px; border:2px solid #eeeeee;"><a href="http://www.travelpod.com/travel-blog-entries/ikono/1/1238208120/tpod.html">Jump to the full <br />entry &amp; travel map</a></div><br />
            </td></tr>
        </table>
        <b>Luanda, Angola</b><br /><br />N&#xE3;o vou concluir o blog com reflex&#xF5;es muito profundas e pseudo-intelectual&#xF3;ides de um pretensioso super-homem com bagagem de vida suficiente para dar uma de alto moralista. Vou deixar os Outkast e o Cee-lo fazerem isso por mim, com o refr&#xE3;o de um som de 1995 que resume bem tudo o que poderia ter vontade de transmitir com palavras mais poetizadas e menos directas:<br>   <a href="http://www.youtube.com/watch?v=acN_99gfuAM" rel="nofollow" target="_blank">http://www.youtube.com/watch?v=acN_99gfuAM</a><br>    <br>   You need to get up, get out and get something, <br>   Don't let the days of your life pass by <br>   You need to get up, get out and get something, <br>   Don't spend all your life tryin' to get high nigga. <br>   You need to get up, get out and get something, <br>   How would you make it if you never even try? <br>   You need to get up, get out and get something, <br>   'Cause you and I got to do for you and I. <br><br>   O mundo &#xE9; grande porra, deixem de viver agarrados a coisas que v&#xE3;o desaparecer convosco.<br>   Xau!<br>    <br />
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    <title>Chegando &#xE0; casa &#x2014; Luanda, Angola</title>
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    <pubDate>Fri, 27 Mar 2009 22:42:35 -0400</pubDate>
    <description>Doce Vertigem</description>
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            <tr><td valign="top" align="center">
                <div style="width:250px; border:2px solid #eeeeee;"><a href="http://www.travelpod.com/travel-blog-entries/ikono/1/1238201700/tpod.html">Jump to the full <br />entry &amp; travel map</a></div><br />
            </td></tr>
        </table>
        <b>Luanda, Angola</b><br /><br />A tarde j&#xE1; se despedia e quando assim &#xE9;, as perspectivas de avan&#xE7;ar convenientemente s&#xE3;o anor&#xE9;cticas. Ainda assim e para que n&#xE3;o ficasse com uma m&#xE1; ideia do meu pr&#xF3;prio pa&#xED;s quando tivesse de o comparar com os outros, as boleias apareceram umas atr&#xE1;s das outras. At&#xE9; os carros que vinham no outro sentido paravam para me dar dois dedos de conversa. O primeiro dread parou para me levar uns escassos 400 metros e logo a seguir, antes mesmo perder de vista a minha &#xFA;ltima boleia, apareceu uma pickup Mitsubishi em g&#xE1;s, que parou assim que me viu esticar o polegar. Tinha 5 chineses l&#xE1; dentro e eles nem se deram ao trabalho de baixar a janela para cumprimentar, me fizeram s&#xF3; o sinal para subir na quintal da jipi. And&#xE1;mos bw&#xE9; por essa estrada enlameada, vimos carros que por l&#xE1; ficaram, tent&#xE1;mos caminhos alternativos que corriam a um escasso metro das pipelines da Total, pass&#xE1;mos mal em alguns tro&#xE7;os e quando eles finalmente me depositaram desculpando-se "amigo hoji fical aqui", eu agradeci imenso. Olhando para frente vi cami&#xF5;es virados para Luanda. Apressei o passo, sem chinelos e enterrando-me v&#xE1;rias vezes quase at&#xE9; aos joelhos na lama, tentei apanhar os cami&#xF5;es e quando me aproximei perguntei se tinham um lugar. Todos responderam negativamente e depois todos come&#xE7;aram a berrar a chamarem-se uns aos outros "ehhhh x&#xEA; vem ver J&#xEA;zuis". Um deles estava enterrado e eu disse que se mudassem de ideias me agarravam "l&#xE1; frente". Mas a noite ca&#xED;a pesada empurrando o Sol para atr&#xE1;s daquela linha que parece sempre "j&#xE1; ali atr&#xE1;s do monte" e eu sei que de noite o mais sensato &#xE9; parar e dormir. No entanto, algo me dizia que um daqueles cami&#xF5;es havia de ter piedade e apanhar-me caso continuassem para Luanda, por isso andei, andei e j&#xE1; a noite ia cerrad&#xED;ssima quando cheguei ao Tombe, uma aldeia com a rua principal toda iluminada gra&#xE7;as a um gerador que "o governo" vem abastecer todos os dias. Aqui fui assediado por duas velhas b&#xEA;bedas que queriam catar-me alguns kwanzas para mais kapuka, ou outro tipo de prenda que eu lhes pudesse produzir de dentro da minha mochilona. Desembaracei-me delas j&#xE1; um pouco impaciente e avancei at&#xE9; a escurid&#xE3;o, onde descobri que afinal, sem luz, corria o risco de tomar um banho de lama e assim sendo encostei-me &#xE0; berma da primeira casa que encontrei, sem no entanto entrar. Foram transeuntes que me viram ali sentado que anunciaram aos donos da casa que tinha ali um estrangeiro e estes depois de me ouvirem com alguma curiosidade me disseram que se eu me cansasse de esperar que podia entrar e dormir ali. Tr&#xEA;s dos cinco cami&#xF5;es passaram sem parar, os outros dois nunca vieram e eu acabei por aceitar o convite, estava estafado. Por pouco n&#xE3;o me arrependi. Os rapazes eram, para al&#xE9;m de outras coisas, os padeiros da aldeia e nesse dia n&#xE3;o tinha havido p&#xE3;o, o que implicava que eles teriam de ficar a trabalhar a noite toda para satisfazer a procura do dia seguinte. At&#xE9; aqui n&#xE3;o tem maka. A maka foi que, uns minutos depois de eu entrar, chegou um dread com uma bateria enorme e um boombox dos anos 80 que colocou na esteira que tinham acabado de me oferecer para me esticar mas que fui lento demais a ocupar. O r&#xE1;dio ligou-se e a m&#xFA;sica, estranh&#xED;ssima, parecia querer rebentar com os tweeters. Que barulheira na aldeia, era a primeira vez que via um ambiente t&#xE3;o tranquilo ser brutalizado daquela maneira, mas revoltante mesmo, do estilo o velho Fritzl que insistentemente violentou a pr&#xF3;pria filha durante 24 anos e lhe fez 7 filhos-netos. Desse tipo. Mas porra, eles pareciam radiantes, como se tivessem tomado uma droga qualquer, muita cafe&#xED;na com pau de Cabinda, estavam completamente lan&#xE7;ados para uma noite de amassar e meter na forna&#xE7;a. E a m&#xFA;sica, a m&#xFA;sica parecia uma intermin&#xE1;vel pe&#xE7;a tocada pela orquestra do ex&#xE9;rcito congol&#xEA;s, um cd inteiro, lembrava uma sess&#xE3;o de improviso ordenado que foi cortado em faixas, de tal maneira que nem nos d&#xE1;vamos conta que as faixas iam mudando. A verdade &#xE9; que eu adormeci a escassos 4 metros desse r&#xE1;dio com mais meia d&#xFA;zia de putos curiosos que ficaram ali a olhar para mim como se eu tivesse acabado de chegar de Plut&#xE3;o. Eventualmente houve uma pausa, tr&#xE9;guas... at&#xE9; as 5 da manh&#xE3;, depois recome&#xE7;ou a sess&#xE3;o de tortura. Levantei-me, arrumei as bikuatas, despedi o pessoal e depois fui uns metros mais &#xE0; frente despedir-me do filho do Soba com quem tinha tido uma conversa interessant&#xED;ssima na noite anterior. Contou-me sobre os seus sonhos e aspira&#xE7;&#xF5;es e contou-me sobre os anos da guerra quando a aldeia dele foi tomada pela UNITA durante uns tempos. Falou-me de como funciona o sistema do sobado e sinceramente fiquei com uma impress&#xE3;o totalmente oposta ao meu anterior preconceito; parece-me um sistema infinitamente mais democr&#xE1;tico que o nosso parlamentar. Verdade seja dita, &#xE9; mais f&#xE1;cil ser democr&#xE1;tico com um grupo mais pequeno, raz&#xE3;o pela qual (uma das) eu acho que dever&#xED;amos come&#xE7;ar a preocupar-nos em fazer uma revis&#xE3;o a esse organigrama do poder que n&#xE3;o consegue mais do que formar castas; uma kambada de gatunos que nunca t&#xEA;m de sair a rua e confrontar-se frente &#xE0; frente com a mis&#xE9;ria que causam a todos esses infelizes Z&#xE9;s Ningu&#xE9;m, os recept&#xE1;culos directos da incompet&#xEA;ncia de quem nunca tem de prestar contas, que arcam invariavelmente com os danos colaterais inerentes da miss&#xE3;o suprema de se criar uma classe m&#xE9;dia e uma burguesia, a mesma burguesia que esses mesmos senhores combateram h&#xE1; n&#xE3;o muitos anos atr&#xE1;s... nojentos! <br>   Mal sa&#xED;, acompanhado pelo Soba, passou um cami&#xE3;o que parou. L&#xE1; dentro ia um motorista mangol&#xEA; e... um dos chineses que iam na Mitsubishi do dia anterior. Avan&#xE7;aram-me para cara&#xE7;as e depois brotei um pouco a butes, com muita alegria minha de poder respirar um pouco daquele ar do Zaire. N&#xE3;o muito tempo depois um cami&#xE3;o parou e prop&#xF4;s-se levar-me at&#xE9; ao entroncamento onde virando &#xE0; esquerda vamos para Mbanza Congo e &#xE0; direita seguimos o percurso para Luanda. O cami&#xE3;o era um dos dois que ficou a faltar na contagem do dia anterior, tinham decidido ficar l&#xE1; por tr&#xE1;s para descansar e, assim que me viram, cataram o artista. Chegados ao entroncamento, o pr&#xF3;prio motorista desceu para ir apalavrar a pr&#xF3;xima boleia com o ve&#xED;culo da r&#xE1;dio nacional que encontr&#xE1;mos virado para Luanda. O motorista ofereceu resist&#xEA;ncia, mas os radialistas que vieram logo atr&#xE1;s convidaram-me imediatamente para seguir com eles. Chegados ao Nzetu, saiu a primeira entrevista, seguida de convite para l&#xE1; dormir caso n&#xE3;o conseguisse avan&#xE7;ar mais. Mas ainda era cedo, claro que eu ia conseguir, o meu plano era mostrar &#xE0;queles que disseram que ia levar no m&#xED;nimo 5 dias at&#xE9; Luanda que n&#xE3;o teria de passar mais de uma noite no caminho. E assim foi, depois de andar bastante sob aquela soalheira que nos faz sentir em banho-maria, apareceu uma carrinha sul coreana com dois pol&#xED;cias que me pediram o passaporte e finalmente me mandaram subir na quintal da jipi. Atr&#xE1;s iam outros 3 passageiros irradiando um optimismo quase irritante de t&#xE3;o ing&#xE9;nuo, prevendo a chegada &#xE0; Luanda para as 18h30. Seriam j&#xE1; 16 e est&#xE1;vamos a mais ou menos 200 km. Como se n&#xE3;o bastasse o estado da estrada, come&#xE7;ou a cair uma chuva altamente inoportuna e fomos invadidos por moscas ts&#xE9;-ts&#xE9; que nos ferraram feio. Nos &#xFA;ltimos dias (desde o Congo) j&#xE1; tinha passado muito mal em quintais de jipe e muitas foram as vezes que pensei em pedir para parar e me deixar j&#xE1; ali que queria dormir e continuaria de outra forma mais tarde, logo se via. Foi tamb&#xE9;m a primeira vez que uma chuva (ainda para mais torrencial), me apanhou desabrigado. De modo algo conveniente, tinha um banco de mota que partilhei com um dos passageiros e, grande fezada, uma lona que estava a cobrir as colunas do boda, mas que felizmente era suficientemente grande para nos cobrir tamb&#xE9;m. Isso facilitou um pouco a viagem que nem por isso se tornou confort&#xE1;vel, mas n&#xE3;o pude deixar de contemplar o lado positivo e pensar que poderia ter sido bem pior. Entretanto tamb&#xE9;m tinham uns jerricans de combust&#xED;vel que foram vertendo e mais com a chuva, acabou por impregnar a minha mochila, deixando um cheiro pestilento em toda a minha roupa e destruindo o livro do meu irm&#xE3;o "L'enfant noir" do Camara Laye, que aconselho vivamente a ti que acompanhaste o blog. O kota ainda amea&#xE7;ou "ep&#xE1; a malta hoje vai dormir no Ambriz", mas para minha enorme alegria abandonou essa ideia e continuou directo at&#xE9; Luanda, onde cheg&#xE1;mos por volta da 1h30 da matina. "Ahhh.. as 18h30 estamos l&#xE1;".<br>    <br>   O kota ou era maldoso, ou s&#xF3; insensato, vou dar-lhe o desconto por causa do sono (ele teve de parar umas 4 vezes para lavar a cara com &#xE1;gua gelada, j&#xE1; no bom asfalto, depois da Barra do Dande, n&#xE3;o estava a passar dos 40 kmh), ou ter&#xE1; sido o copo, que tamb&#xE9;m adormeceu o seu co-piloto, a verdade &#xE9; que, depois de uma viagem t&#xE3;o longa at&#xE9; Luanda, a &#xFA;nica coisa que n&#xE3;o se faz &#xE9; abandonar o passageiro a 1h30 da matina no Sambizanga n&#xE9;? Eu ainda quis acreditar que era s&#xF3; manter o esp&#xED;rito positivo que vinha carregando at&#xE9; aqui, mas as probabilidades fizeram o seu jogo limpo e eu n&#xE3;o terei feito 10 passos at&#xE9; que um grupo de jovens metesse uma conversa chata num tom agressivo. Continuei a andar, mas eles acompanharam-me, eram 5 e disseram as coisas do costume: "n&#xE3;o faz muita confus&#xE3;o, se n&#xE3;o queres morrer d&#xE1; s&#xF3; tudo o que tens". "Claro que n&#xE3;o vou fazer confus&#xE3;o e claro que vou dar tudo, mas aviso j&#xE1; que n&#xE3;o &#xE9; muito, s&#xF3; para n&#xE3;o ficarem nervosos quando virem o que tenho". Tinha os 15 USD que me tinha dado o taxista em Cabinda (ele bem disse que podia vir a precisar deles) e mais uns trocos do kumb&#xFA; que o Kelson me tinha dado. Arrancaram-me a bolsa e perdi alguns dos pap&#xE9;is com contactos do pessoal que encontrei no caminho. Isto tudo sem parar de andar; fui acompanhado at&#xE9; a sa&#xED;da do Sambila onde me disseram para meter a mochila no ch&#xE3;o para revistarem. Antecipei-me anunciando que sabia qual seria a &#xFA;nica coisa que lhes interessaria e extra&#xED; da mochila a m&#xE1;quina fotogr&#xE1;fica e a pen drive (que eles encontraram). Isso satisf&#xEA;-los e deixaram-me em paz. Logo que eles deram costas apareceram outros rapazes preocupados com a minha integridade f&#xED;sica, pedindo desculpa pelo mau estar causado pelos outros e implorando que n&#xE3;o fosse para casa essa noite, que podia encontrar outros bandidos no caminho, para dormir ali na casa de um deles e de manh&#xE3; pela fresquinha voltava para a minha fam&#xED;lia. Aceitei e pensei que ia poder aproveitar para procurar o meu amigo Sacerdote que de certeza que ia mexer os seus pauzinhos para descobrir quem tinha levado os mambos. Voltando para tr&#xE1;s, outro grupo meteu conversa e quando pedi a um deles que fosse chamar o Sacerdote e dizer-lhe que o amigo dele Mata-Frakuxz tinha chegado e queria lhe falar, o dread que estava a minha frente parou, come&#xE7;ou a rir e perguntou "Mata-Frakuxz... Brigadeiro Mata Frakuxz?" A&#xED; percebi a sensa&#xE7;&#xE3;o do Bond...James Bond quando interpelado. O mano conhecia os meus sons, convidou-me a pitar qualquer cena e fomos procurar o Sacerdote. Nada feito, j&#xE1; devia estar a dormir. Combin&#xE1;mos para de manh&#xE3;. <br>   Assim que vi o Sacer e lhe contei o que se passou, tal como esperava, ele virou o Sambila do avesso at&#xE9; descobrir quem tinha feito aquilo e quando sa&#xED; de l&#xE1; ao meio dia e tal foi com a certeza que os mambos haveriam de voltar para a minha m&#xE3;o. N&#xE3;o me enganei, no dia seguinte recuperei a pen e a digital, com todas as fotos e mais algumas, os bandidos j&#xE1; tinham estreado a cena, sem perder tempo. S&#xF3; me estragaram a foto de chegada, com a fam&#xED;lia, barbudo e imundo, mas ep&#xE1;, h&#xE1; coisas piores, tais como as que me aconteceram nos dias subsequentes a minha chegada: levei corte da minha dama de 9 anos, apanhei paludismo, escapei parar com alergia a um medicamento que acho que n&#xE3;o se deu muito bem com o paracetamol e deixou-me o corpo todo inflamado, voltou-me a dor de dente mortal... <br><br>   O que vale &#xE9; que no meio de tanta perda, ganhei umas fotos dos ladr&#xF5;es que partilho aqui convosco.<br><br>Cheguei ao port&#xE3;o da minha casa no dia 1 de Mar&#xE7;o de 2009, 6 meses e 1 semana depois da partida. Gritei pela minha av&#xF3; para que ela me viesse abrir e fundimo-nos num abra&#xE7;o de descompress&#xE3;o regado de l&#xE1;grimas de uma alegria &#xED;mpar, as mesmas que chorei depois com a minha m&#xE3;e quando fal&#xE1;mos ao telefone, a alegria da fam&#xED;lia que a cada dia se perguntava onde estava, se estaria a comer, a beber, de sa&#xFA;de, sem azares de outra &#xED;ndole, uma alegria distinta e avassaladora. Estou em casa e dessa vez vim para ficar!<br />
    ]]></content:encoded>
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    <title>Congo (Fr+Pt) &#x2014; Pointe Noire, Congo</title>
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    <category>Travel Blogs</category>
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    <pubDate>Fri, 27 Mar 2009 14:58:12 -0400</pubDate>
    <description>Doce Vertigem</description>
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        <table border="0" cellpadding="0" cellspacing="10" align="right" width="250">
            <tr><td valign="top" align="center">
                <div style="width:250px; border:2px solid #eeeeee;"><a href="http://www.travelpod.com/travel-blog-entries/ikono/1/1238169960/tpod.html">Jump to the full <br />entry &amp; travel map</a></div><br />
            </td></tr>
        </table>
        <b>Pointe Noire, Congo</b><br /><br />Je craignais une r&#xE9;ception agressive de la part des autorit&#xE9;s congolaises et du premier regard leurs t&#xEA;tes de voyous m'ont faire croire au plus probable: "ils vont trouver un moyen de m'emb&#xEA;ter pour m'all&#xE9;ger de mes maigres &#xE9;conomies". Eh ben je me suis tromp&#xE9;. D&#xE8;s qu'ils se sont rendu compte que j'&#xE9;tais angolais c'&#xE9;tait la f&#xEA;te, ils m'ont m&#xEA;me parl&#xE9; avec une certaine d&#xE9;f&#xE9;rence et me demandaient permission pour fouiller un tout petit peu mon sac "si cela ne vous g&#xE8;ne pas". J'ai eu droit &#xE0; une d&#xE9;monstration des phrases en portugais qu'ils avaient appris lors de leur formation militaire en Angola, de laquelle ils en &#xE9;taient plus que fiers. Je dois passer la nuit &#xE0; la fronti&#xE8;re et quand j'approche le chef de l'immigration pour lui demander permission de planter ma tente, il refusa me disant que je dormirais dans une chambre qu'il s'offrait &#xE0; payer. C'est bien parti. Lendemain matin je fais le tour pour dire au revoir &#xE0; tout le monde, remercier l'accueil et je prends la route. Juste derri&#xE8;re, un camion qu'arrivait du Gabon et que venait charger le manioc pas tr&#xE8;s loin de la fronti&#xE8;re. Monte! La mission aujourd'hui c'est de faire la route d&#xE9;serte de 38 km jusqu'&#xE0; Nyanga. Si je peux me faire avancer davantage tant mieux, mais cela s'av&#xE8;re un tout petit peu compliqu&#xE9; car la route est tellement &#xE9;clabouss&#xE9;e que seuls les poids lourds se lancent dans l'aventure et &#xE0; la fronti&#xE8;re le mot que circulait c'&#xE9;tait qu'ils n'attendaient que deux, le deuxi&#xE8;me &#xE9;tant en fin d'apr&#xE8;s-midi. Il en avait un troisi&#xE8;me dont ils n'avaient pas le renseignement et qu'allait jusqu'&#xE0; Nyanga, sauf qu'&#xE0; mi-chemin il s'est solidaris&#xE9; avec son camarade qu'&#xE9;tait compl&#xE8;tement embourb&#xE9; et voyant que le secours allait prendre trop de temps, j'ai d&#xE9;cid&#xE9; de reprendre la marche. Il manquait une vingtaine de km, j'en ai fait 16 en marche et pour les 4 derniers un gendarme m'a cueilli en moto. Il s'est mit en des difficult&#xE9;s pour l'avoir fait et le chef de poste du commissariat de Nyanga a voulu me demander de payer 2 litres d'essence pour combler l'erreur du policier. J'ai, bien entendu, r&#xE9;solument refus&#xE9;. Les 300 km qui me s&#xE9;parait de Pointe Noire furent douloureux &#xE0; parcourir, les routes sont dans un tr&#xE8;s mauvais &#xE9;tat, le goudron &#xE9;tant pas plus qu'une mirage de ce qu'il f&#xFB;t un jour, un jour fort &#xE9;loign&#xE9;, cach&#xE9; dans les t&#xE9;n&#xE8;bres de la p&#xE9;riode colonial. Mais j'ai r&#xE9;ussi. A 2h du matin on me d&#xE9;pose devant le commissariat du village &#xE0; 30 km de Pointe Noire (autres 30 km jusqu'&#xE0; la fronti&#xE8;re). L'anxi&#xE9;t&#xE9; commence &#xE0; remplir mon &#xE2;me, je sens d&#xE9;j&#xE0; l'Angola juste devant et plus proche &#xE0; chaque pas, plus proche, je me fais avancer, plus proche, j'ignore la fatigue, j'ignore la chaleur, j'ignore l'accumulation de poussi&#xE8;re qui me salit jusqu'&#xE0; l'&#xE2;me, avec une seule certitude dans mon coeur : aujourd'hui j'atteins Cabinda, l'Angola, aujourd'hui je serais chez moi. <br>     <br>     <br>   Crescendo em Angola ficamos com uma ideia muito negativa dos congoleses, mas eles s&#xE3;o muito parecidos connosco, fisionomicamente e em termos comportamentais, para al&#xE9;m do facto que falam a mesma l&#xED;ngua que no Norte de Angola, o Kikongo, ou Monokotuba como tamb&#xE9;m lhe chamam. Isto para dizer que j&#xE1; esperava que me fossem pentear gravemente na fronteira, mas para meu grande espanto, quando viram o meu passaporte fizeram-me quase uma festa, instruindo-me sobre o que tinha de anunciar dali p'ra frente as autoridades para que ningu&#xE9;m me pedisse dinheiro &#xAB;diz que &#xE9;s turista, n&#xF3;s n&#xE3;o pedimos dinheiro aos turistas &#xBB;. At&#xE9; me requisitaram com muito jeitinho autoriza&#xE7;&#xE3;o para dar uma vista de olhos na mochila, coisa que fizeram apenas superficialmente. Depois s&#xF3; quiseram exibir o portugu&#xEA;s que tinham aprendido quando vieram em forma&#xE7;&#xE3;o militar para Angola &#xAB; no Kapolo 2 &#xBB;. Eu tinha de passar ali a noite, por isso dirigi-me ao chefe de posto da imigra&#xE7;&#xE3;o para lhe pedir autoriza&#xE7;&#xE3;o de enfiar a tenda por ali, algures. Ele respondeu negativamente, dizendo que tinha de dormir em condi&#xE7;&#xF5;es na pousada que ali havia. &#xAB; Mas eu n&#xE3;o tenho dinheiro &#xBB;. &#xAB; Ent&#xE3;o pago eu &#xBB;. Waaauuuu. Totalmente inesperado, os congoleses est&#xE3;o a revelar-se t&#xE3;o hospitaleiros como o resto do pessoal que fui encontrando no meu caminho descendente. As estradas &#xE9; que figuram entre as piores. O meu objectivo no dia seguinte quando me levantei pela fresquinha era conseguir chegar a primeira cidade importante, Nyanga, a meros 37 km da fronteira (lembrem-se que alguns dias antes, no Gab&#xE3;o, fiz 400 km no mesmo dia). A estrada tem de se por entre aspas, est&#xE1; mais escavacada do que a boca da Gabriela Antunes (que descanse em paz e n&#xE3;o me venha puxar os dedos dos p&#xE9;s no sono) e somente os cami&#xF5;es se aventuram por l&#xE1;. Nesse dia, disseram-me os pol&#xED;cias fronteiri&#xE7;os, s&#xF3; esperavam dois, um de manh&#xE3; que n&#xE3;o ia muito longe e um mais para o fim da tarde que deveria ir at&#xE9; Nyanga. Avancei 5 km com o primeiro e como &#xE9; l&#xF3;gico n&#xE3;o ia esperar o segundo, fiz-me avan&#xE7;ar com o meu motor natural, os butes, o meu wolkspata. Depois de hora e pouco de caminhada, ouvi o ronronar de um motor aproximando-se ao longe. Era um inesperado cami&#xE3;o que me colheu e se prop&#xF4;s levar-me at&#xE9; ao meu objectivo, tendo no entanto sido desviado dessa vontade por uma solidariedade que apreciei com o seu camarada camionista, completamente enterrado na lama. Faltavam 20 km at&#xE9; Nyanga. Andei 15 e depois apareceu um motoqueiro, que afinal era pol&#xED;cia de fronteira (n&#xE3;o da mesma por onde entrei) e que acabou por se meter em dificuldades com o seu superior hier&#xE1;rquico por me ter dado boleia. Fui chamado por este &#xFA;ltimo que queria confirmar a est&#xF3;ria do seu subordinado e cobrar-me dois litros de gasolina por essa boleia inusitada. Encontrou um muro, eu limitei-me a dizer que n&#xE3;o pagaria nada "e arranja maz&#xE9; &#xE9; um s&#xED;tio para um gajo dormir". Ele insistiu, mas encontrou sempre a mesma frieza na resposta. Acabou por deixar cair e deu-me um cantinho para passar a noite.<br>   Objectivo do dia seguinte: Pointe-Noire, a 30 km da fronteira com Cabinda. Ainda era um estic&#xE3;o de 350 km, algo ambicioso para quem s&#xF3; tinha feito 30 km nesse dia. &#xC0;s duas e meia da manh&#xE3;, depois de 3 avarias no cami&#xE3;o onde seguia, fui depositado a 30 km de Pointe-Noire, num comissariado. Miss&#xE3;o (quase) cumprida, mas digo-vos, muito dolorosa. S&#xF3; conseguia pensar no burrinho do Shrek a perguntar "ainda falta muito?" e acho que se esta fosse a viagem para o Reino do bw&#xE9; bw&#xE9; longe, ter&#xED;amos de acrescentar mais uns tr&#xEA;s "bw&#xE9;" antes do "longe" e o Shrek acabaria por perder a cabe&#xE7;a e arrancar a do burrinho a soco. <br>   Foi ent&#xE3;o no dia seguinte, 25 de Fevereiro, por volta das 16h30 que percorri os &#xFA;ltimos 10 passos da <i>no man's land</i> entre o Congo e a prov&#xED;ncia de Cabinda.<br />
    ]]></content:encoded>
</item><item>
    <title>Cabinda &#x2014; Cabinda, Angola</title>
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    <pubDate>Fri, 27 Mar 2009 14:54:49 -0400</pubDate>
    <description>Doce Vertigem</description>
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        <table border="0" cellpadding="0" cellspacing="10" align="right" width="250">
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        <b>Cabinda, Angola</b><br /><br />      A emo&#xE7;&#xE3;o ao ver aqueles uniformes brancos da imigra&#xE7;&#xE3;o e ser cumprimentado "b&#xF4; tarde" foi muita e dif&#xED;cil de verbalizar. Um sentimento estranho me percorreu da cabe&#xE7;a aos p&#xE9;s, sentimento que, como "cidad&#xE3;o do mundo", identifiquei como sendo a futilidade do patriotismo que me lavra a alma, o patriotismo do qual nenhum n&#xED;vel de educa&#xE7;&#xE3;o ou diversidade na localiza&#xE7;&#xE3;o geogr&#xE1;fica me conseguiu purgar. Essa sensa&#xE7;&#xE3;o que n&#xE3;o &#xE9; necessariamente de superioridade, simplesmente de identifica&#xE7;&#xE3;o com um conjunto de c&#xF3;digos que me tenho tentado habituar a negligenciar em prol de outros mais universais, de c&#xF3;digos humanos que nos unem em vez de nos diferenciar. Continuo a tentar descortinar melhor esse sentimento para melhor poder lidar com ele e para que, n&#xE3;o se venha no futuro a tornar em algo mais desagrad&#xE1;vel do estilo um ultra nacionalismo hitleriano cego. Entretanto foi esse sentimento que me deu uma fraqueza nos joelhos, me obrigou a sentar, tirar a minha bandeira de Angola que tinha estado no fundo da mochila desde o in&#xED;cio da minha viagem e, aproveitando o raro momento de solid&#xE3;o que tive para contemplar tudo o que tinha percorrido at&#xE9; pisar na minha terra, me encheu de como&#xE7;&#xE3;o e uma mir&#xED;ade de complexas sensa&#xE7;&#xF5;es que me obrigaram a verter algumas l&#xE1;grimas. Imagino que seriam as mesmas que verteria um corredor de fundo que se prepara durante anos para uma prova mundial da qual sai vitorioso entre centenas de outros atletas.<br><br>   Quando cheguei para me carimbarem o passaporte, tinha um jovem sentado no muro, um jovem que me lembrou muito de um colega que tive quando trabalhei como colaborador na LAC, um dos manos que trabalhava como t&#xE9;cnico de som e que hoje &#xE9; DJ. Esse mano, ouvindo a minha conversa com o chefe de posto prop&#xF4;s-se levar-me at&#xE9; Cabinda, a capital da prov&#xED;ncia, que fica a mais ou menos 90 km da fronteira. O mwadi&#xE9; de seu nome Kelson, tinha vindo buscar carros que vieram pelo porto de Pointe Noire e que o padrasto dele vende em Cabinda. Foi num Mazda linhoso (j&#xE1; n&#xE3;o tanto para o europeu que se desembara&#xE7;ou dele) que arranc&#xE1;mos dali a todo o g&#xE1;s entre aclama&#xE7;&#xF5;es de "Jesus" ou "Bin Laden" em minha direc&#xE7;&#xE3;o. Levou-me a dormir no kubico dele onde vive com outros dois irm&#xE3;os, convers&#xE1;mos bw&#xE9;, deram-me pit&#xE9;u e todos mambos. No dia seguinte fomos ver a situa&#xE7;&#xE3;o do barco que fazia o trajecto Cabinda - Soyo pois n&#xE3;o tinha a m&#xED;nima vontade de ainda ter de encarar uma fronteira estrangeira depois de j&#xE1; ter pisado no meu pa&#xED;s, muito menos quando essa fronteira seria a da RDC, um pa&#xED;s com conflito decorrente. O problema &#xE9; que o ferry, apesar de hiper novo (menos de um ano), estava j&#xE1; ancorado com uma avaria matracaica que o impossibilitava de se lan&#xE7;ar em alto mar. Bw&#xE9; bonito comprar as coisas, mas quando n&#xE3;o sabemos oper&#xE1;-las nem temos pessoal qualificado para a manuten&#xE7;&#xE3;o, essas coisas tornam-se potenciais candidatas a ferro-velho antes da devida altura. <br><br>   Fui ent&#xE3;o ver com os pescadores se alguma chata fazia o trajecto e a resposta foi positiva mas um coxe assustadora, isto porque a viagem levaria a volta de 10h, 4 das quais cortando por noite cerrada, ainda para mais em &#xE9;poca de chuva e mares turbulentos. Eu n&#xE3;o fiz 13000 km para vir correr riscos desnecess&#xE1;rios a porta de casa. L&#xE1; terei eu de atravessar aqueles 30 km de RDC. Ou teria, se o Kelson n&#xE3;o se tivesse oferecido para me meter no avi&#xE3;o da TAAG at&#xE9; ao Soyo. Custo 4000 kzw. "Mas com&#xE9;, n&#xE3;o queres ir j&#xE1; at&#xE9; Luanda? O avi&#xE3;o que te deixa no Soyo depois continua at&#xE9; l&#xE1;". "Seria morrer de sede em frente ao mar mano, tenho de terminar esta viagem como me propus. Batotar aqui em casa ia deixar-me uma eterna sensa&#xE7;&#xE3;o de incompletude". Mas obrigado pelo gesto m&#xF4; irm&#xE3;o. Passei mais uma noite com os manos e &#xE0;s 7h20 da matina do dia seguinte o Kelson foi depositar-me no aeroporto, um aeroporto muito catita diga-se de passagem. O avi&#xE3;o estava previsto para as 11h30, check-in as 9h30. Mesmo depois de eu ter falado com o kota da TAAG e ele me ter garantido que me conseguia o lugar, o Kelson n&#xE3;o quis abandonar o posto enquanto n&#xE3;o viu o dito cujo na minha m&#xE3;o e teve a certeza que eu iria embarcar. Granda mangas.<br><br>   No aero ainda deu tempo para reunir um pessoal a volta de mim e contar pela en&#xE9;sima vez o meu percurso, o que me granjeou 15 USD da parte de um dos taxistas impressionados que ali aguardavam cliente. Claro que o avi&#xE3;o s&#xF3; saiu dali as 15 e tal, mas no Soyo consegui logo uma boleia que me deixou no limite da cidade, aonde termina o asfalto. A aventura recome&#xE7;a pela &#xFA;ltima vez. Luanda no horizonte<br />
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</item><item>
    <title>Gab&#xE3;o a todo g&#xE1;s (Fr+Pt) &#x2014; Ndjol&#xE9;, Gabon</title>
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    <pubDate>Fri, 27 Mar 2009 11:04:19 -0400</pubDate>
    <description>Doce Vertigem</description>
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        <table border="0" cellpadding="0" cellspacing="10" align="right" width="250">
            <tr><td valign="top" align="center">
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        <b>Ndjol&#xE9;, Gabon</b><br /><br />J'arrive donc au Gabon avec mon visa de 3 jours de dur&#xE9;e, longtemps perim&#xE9; (date d'expiration 16/02. Date d'arriv&#xE9;e &#xE0; la fronti&#xE8;re congo-gabonaise : le 20/02) et je crains le pire, on va me dire d'en acheter un nouveau alors que mes &#xE9;conomies sont, comme elles l'ont toujours &#xE9;t&#xE9;, dans le plus vif rouge. Etonnement, les agents d'immigration f&#xFB;rent super r&#xE9;glos en me laissant passer, disant que la date emise par l'ambassade n'a aucune valeur pour eux, que le visa prend effet le jour o&#xF9; l'on traverse la fronti&#xE8;re. Assez logique pour la plupart des gens ayant un minimum de sens commun, mais je connais mieux que &#xE7;a et je sais bien qu'&#xE0; la moindre occasion trouv&#xE9;e par ces gens pour nous exiger du fric ils s'accrochent comme des mouches &#xE0; la merde. Bien heureusement, le Gabon fit l'exception pour mon grand soulagement. Cependant on ne me laissa pas passer la nuit &#xE0; la fronti&#xE8;re et on me demanda d'aller prendre un v&#xE9;hicule pour Bitam, &#xE0; quelques 20 km, o&#xF9; je devrais me faire cacheter le passport le lendemain. &#xAB; Combien cela peut co&#xFB;ter ? &#xBB;. &#xAB; C'est 500 FCFA la journ&#xE9;e, mais la nuit ils peuvent demander 1000, voire plus, tu sais... il y a l'aspet couleur &#xBB;. Ah bon, pas de surprise l&#xE0; dessus. Il n'y avait plus de v&#xE9;hicules, du moins, pas de taxi, mais un monsieur qui partait vers Bitam m'a simplement dit de monter ce que je fis. J'ai fait tout le trajet pensant qu'&#xE0; l'arriv&#xE9;e il pourrait me charger un prix &#xE0; son gr&#xE9; puisque on ne s'est pas mis d'accord pour les 1000 FCFA relatifs &#xE0; l'heure tardive et/ou &#xE0; la couleur de ma peau. Eh bien, ce monsieur a fini par me payer 5000 FCFA pour passer la nuit dans un auberge... et la &#xAB; chance &#xBB; africaine ne cesse d'avoir lieu. Le lendemain un taximan me fait le tour du quartier pour me d&#xE9;poser devant l'immigration sans rien me charger. Plus tard je le retrouve en sortant de sa maison et il me dit de monter. Il souffrait &#xE0; ma place, me disant que je ne pouvais pas me promener comme &#xE7;a, que personne n'allait me prendre, que c'&#xE9;tait de la folie, insistant pour que j'attends un v&#xE9;hicule qu'il payerait. Finalement il me fila 1500 FCFA et avant m&#xEA;me que je puisse quitter son champ de vision, une Toyota hilux s'arr&#xEA;ta pour moi et il gesticule tout heureux comme s'il venait d'achever une glorieuse victoire. Vraiment il s'inqui&#xE9;tait pour moi le pauvre et pourtant il n'y avait aucune raison car le Gabon s'est r&#xE9;v&#xE9;l&#xE9; comme le pays le plus simple pour faire l'auto-stop. Tr&#xE8;s rarement plus de 5 voitures fon&#xE7;aient devant moi sans s'arr&#xEA;ter pour me prendre. Ce jour l&#xE0;, je n'ai presque pas march&#xE9; et j'ai totalis&#xE9; la marque impressionante de 6 passages et 400 km. C'&#xE9;tait extraordinaire. Pas de raison pour que la suite ne soit pas aussi facile sinon l'&#xE9;tat de quelques routes le plus on se rapproche de la fronti&#xE8;re avec le Congo, les derniers 48  km &#xE9;tant les plus p&#xE9;nibles et annon&#xE7;ant en quelque sort ce qui m'attendait de l'autre c&#xF4;t&#xE9;. Le Gabon m'a quelque peu impression&#xE9; par sa beaut&#xE9; naturelle (c'est ici qu'on traverse la ligne de l'&#xE9;quateur), par l'infime nombre d'habitants (1,5 M) malgr&#xE9; sa superficie considerable ( aprox 268 000 km2) et par la forte pr&#xE9;sence d'africains de tout pays confondu. Pour que vous ayez une id&#xE9;e, de tous les gens que j'ai crois&#xE9; sur la route dans mes 3 jours de travers&#xE9;e il y a eu des Camerounais, un Ivoirien, des Nigerians, un Nigerien, un S&#xE9;n&#xE9;galais, un Malien, un Tchadien et un Burkinab&#xE9;. C'est vraiment un pays d'&#xE9;l&#xE9;ction pour l'immigration et tout le monde est apparemment bien accueilli. Autre chose assez frappante, c'est que l'enseignement non seulement est gratuit, comme TOUT LE MONDE b&#xE9;n&#xE9;ficie de bourses d'&#xE9;tude du gouvernement pour les charges p&#xE9;riph&#xE9;riques. Je n'aime pas les pr&#xE9;sidents comme Omar Bongo qui ne veulent pas l&#xE2;cher le pouvoir, mais bon, au moins il y a un souci social d'assurer un minimum de bien &#xEA;tre &#xE0; son peuple. R&#xE9;cemment un groupe de jeunes a port&#xE9; plainte contre lui &#xE0; la  Cour international pour d&#xE9;lapidation du patrimoine publique.  Les choses bougent en Afrique... donnez-nous du temps.<br>    <u><br><br><br> </u><u> </u>   Cheguei &#xE0; fronteira congo-gabonesa j&#xE1; de noitinha e com receio que me barrassem por causa daquela situa&#xE7;&#xE3;o do visto que vos expliquei, mas levei com uma boa surpresa (ali&#xE1;s, este pa&#xED;s representou 3 dias de sequ&#xEA;ncias de boas surpresas) da parte dos oficiais de imigra&#xE7;&#xE3;o que me disseram que iam pura e simplesmente ignorar as datas pr&#xE9;-estabelecidas pela embaixada em Abuja e que iam considerar os 3 dias a contar da manh&#xE3; seguinte quando fosse registar o meu passaporte nos servi&#xE7;os de migra&#xE7;&#xE3;o na cidade mais pr&#xF3;xima, Bitam, para onde me obrigaram a ir dormir. Isto pode parecer l&#xF3;gico para toda a gente, s&#xF3; que aqui j&#xE1; se sabe, a l&#xF3;gica pertence-lhes para eles a torcerem e revirarem a seu bel-prazer assim que a menor discrep&#xE2;ncia nos documentos, mesmo que a culpa nos seja alheia, se lhes apresenta como um presente dos c&#xE9;us. Ao inv&#xE9;s de tentarem resolver o problema, v&#xE3;o amplific&#xE1;-lo a propor&#xE7;&#xF5;es t&#xE3;o gravosas que parece sempre que o rasurar de uma letra no formul&#xE1;rio &#xE9; equivalente ao termos assassinado o presidente. Mas claro que... mediante a gasosa podemos esquecer isso tudo. Tinha sido assim a maior parte do meu percurso, n&#xE3;o podia deixar de estar radiante com esta demonstra&#xE7;&#xE3;o de honestidade da parte dos gaboneses.<br>   Mais fezadas para a viagem de 20 km at&#xE9; Bitam e na dormida na pens&#xE3;o mais barata que l&#xE1; tinha que acabou por ser paga pelo pr&#xF3;prio kota que me deu boleia. Uns minutos antes tinham me prevenido que ao inv&#xE9;s de 500 eu teria de pagar 1000 para chegar a Bitam, "porque &#xE9; de noite e porque... (gesto com dois dedos acariciando o bra&#xE7;o esticado a frente do corpo, indicando claramente 'cor de pele') a cor, j&#xE1; sabes n&#xE9;?", mas n&#xE3;o tinha mais t&#xE1;xis aquela hora, s&#xF3; o senhor que me levou e que, tivesse eu chegado 1 minuto mais tarde, n&#xE3;o o teria sequer visto.<br>   No dia seguinte, apesar da relut&#xE2;ncia em me deixar partir da parte do taxista pula gabon&#xEA;s que sentencenciava que nunca chegaria sequer a cidade seguinte se contasse com boleia, levei um avan&#xE7;o de 400 Km de 6 boleias diferentes. O Gab&#xE3;o foi automaticamente eleito como o pa&#xED;s mais f&#xE1;cil para andar a boleia, raramente passando por mim mais de 4 carros sem que um parasse. O pessoal &#xE9; suuuuuper. Tamb&#xE9;m &#xE9; um pa&#xED;s com apenas 1,5 milh&#xF5;es de habitantes e habitado por imigrantes de todos os recantos de &#xC1;frica, um pa&#xED;s onde TODOS s&#xE3;o incentivados a estudar pois para al&#xE9;m de o ensino ser gratuito, o governo ainda paga bolsas de estudo por cima. Eles pr&#xF3;prios dizem-se pregui&#xE7;osos e t&#xEA;m de o ser pois o pa&#xED;s tem o mesmo potencial dos Camar&#xF5;es para ser auto-suficiente mas ningu&#xE9;m quer praticar agricultura, preferem importar tudo. Como consequ&#xEA;ncia, o Gab&#xE3;o &#xE9; o pa&#xED;s mais caro que visitei, uma refei&#xE7;&#xE3;o podendo custar at&#xE9; 5 vezes mais que no vizinho Camar&#xF5;es. <u></u><br />
    ]]></content:encoded>
</item><item>
    <title>Benin (Eng+Pt) &#x2014; Cotonou, Benin</title>
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    <pubDate>Thu, 05 Mar 2009 18:36:14 -0500</pubDate>
    <description>Doce Vertigem</description>
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        <table border="0" cellpadding="0" cellspacing="10" align="right" width="250">
            <tr><td valign="top" align="center">
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        <b>Cotonou, Benin</b><br /><br />Next morning I woke up and walked out of Lome. After two hours a nice moto-taxi driver pulled over and told me he wanted to assist me for a couple of miles. What he ended up doing instead, was driving me the whole 64 km to the border line, in spite of my insistence that he just dropped me anywhere that wouldn't drive him into financial loss. This is the way he makes his living, thus driving me represented not only a waste of time, but also fuel and, consequently, money. Same money he needs to provide for his family. But he just wouldn't let me go and once more I was blown away by this African tenderness. <br>On the Benin side, a quick introduction about my travel method immediately gathered me some sympathy, the immigration officer rushed to get me a nice, not too expensive transit visa which I wouldn't be able to afford if I had decided to pay the 50 cedis at the Ghanaian border. Walked for about an hour, but the scorching sun, my shoulders and my tooth ache still in full swing for the fourth day in a row, made me stop underneath a tree shadow. Along came a bingyman and we had a nice little chat about life philosophies as I rested. After farewell I walked for quite some time before Simon, already a passenger in the motorbike, instructed the driver to pull over and picked me up for a 15 km stretch. He insisted I spend the night at the bar he's putting up on the beach side at Grand Popo and after brief hesitation I ended up taking his offer and it was probably the best thing I've acceded to in the past few days, as the place was dazzling, absolutely gorgeous. The beach stretches to the horizon line, the coconut trees add up to the panorama a superb effect and then, there is this sand bank, tongue shaped, 100 m wide and a few km long, where we have the ocean on the right hand side and a river on the left, creating a rather unique and unexpected combination to our viewing pleasure. Outstanding! Unfortunately, I was only given 48 hours to leave Benin territory, so I had to step it up and duly throttle towards Cotounou. I managed to hit the border that same day, towards 16h00 but decided not to crossover to Nigeria for I was only given 7 days in this country and I had to use them wisely and that didn't include wasting my first day with only a couple of hours left of sunlight. Asked for permission to the Benin authorities and was granted a piece of floor to sleep at, plus a bunch of free advice and warning against my walking method in the crossing of the Nigerian territory, without a doubt the  most ill-reputed country in the ECOWAS. The female officer that I'd first spoken to took care of me as if she was my mother: bought me some paracetamol, fed me, and let me use the officers' bathroom. In the morning, before she was gone, she bought me a loaf of bread and gave me 1000 Naira, the Nigerian currency. Way to go Benin.<br> <br> <br>Dia seguinte, dobrei a tenda e piquei a mula. Andei duas horitas ate que um moto-taxista se aproximou e dizendo que gostava da minha coragem para viajar assim, se propos a avancar-me alguns km. Escusado sera dizer que o rapaz acabou por avancar, avancar, recusar a minha insistencia em largar-me num sitio qualquer, avancar um pouco mais, ate esbarrarmos na fronteira, 64 km para la do ponto onde arrancamos. Que dizer? O kota perdeu tempo, gasolina e consequentemente kumbu, mas depois de me apanhar, nao se sentiu bem em abandonar-me de novo a minha sorte e traccao "pernatica". <br>Do lado do Benin, rapida exposicao do meu metodo de viagem granjeou-me simpatia imediata e um rapido e simpatico tratamento com um visto de transito valido por 48h, que mesmo assim nao foi gratuito e que nao poderia ter pago caso tivesse cedido a pressao no Ghana. Andei praca, ate que a dor de ombro, de dente, de ouvido, de cabeca, mais o sol escaldante me obrigassem a encostar sob a sombra de uma arvore. 5 minutos depois, um rasta muito comico saiu da sua kubata mal amanhada atras da dita arvore e tivemos num dialogo interessante durante meia hora, o tempo de recuperar o folego e voltar a meter-me de pe. Mais marcha longa ate que outro motoqueiro, ou por outra, o passageiro que nela seguia, parou para me fazer adicionar como terceiro elemento mais mochila e levou-me para a sua aldeia onde esta a construir um bar e deixem-me que vos diga, o lugar e altamente bonito. Chama-se Grand Popo e fez-me pensar numa mistura de Mussulo minus os casaroes que ja se acotovelam e uma cidade mais modesta no Algarve em construcao. Infelizmente nao pude captar em plenitude a magnificencia do lugar, pois a visita guiada so teve lugar ao final da tarde quando a luz ja nao era apropriada para a minha camara mendiga captar fosse o que fosse. Vi sozinho a lingua de areia de 100 m de largura e alguns km de cumprimento que e banhada no lado direito pelo imenso Atlantico e do lado esquerdo por um rio, criando uma paisagem surreal, corroborada pelos enormes coqueiros perfeitamente desalinhados ao longo da costa do rio. O bar do rapaz, Simon, tambem e de um extremo bom gosto, sem manias nem pretensoes, feito essencialmente de madeira e bamboo, bem ornamentado com plantas decorativas, jardim e coqueiros que ainda estao em estagio infantile, mas ja da para antecipar a futura beleza do lugar. O Simon um dia sonhou, como todo o rapaz pobre por esse mundo fora, em fazer a vida como estrela renomada do futebol mundial, mas recusou naturalizar-se marfinense para se fazer catapultar e soube quando por os pes na terra e consacrar-se as suas ambicoes mais modestas. Muito nice o mano.<br>Dia seguinte apressei o passo e, mais uma vez vou poupar-vos os detalhes de como me consegui por na fronteira por volta das 16h00. La chegado, pedi autorizacao para passar a noite com a policia de imigracao que me foi concedida, com mais conselhos e admoestacoes de "seu maluco" sobre os perigos de fazer isso na Nigeria. Trataram-me muito fixe, sobretudo a kota a quem me dirigi quando la cheguei, que me fezou o paracetamol, refeicao, me deixou usar a casa de banho dos oficiais e de manha me passou um pao e 1000 niara, dinheiro da Niju. Benin BATEU!!!<br />
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    <title>Retour &#xE0; la francophonie (Fr+Pt) &#x2014; Yaounde, Cameroon</title>
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    <pubDate>Thu, 05 Mar 2009 18:33:17 -0500</pubDate>
    <description>Doce Vertigem</description>
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        <b>Yaounde, Cameroon</b><br /><br />La t&#xE2;che de traverser le Nig&#xE9;ria n'a pas &#xE9;t&#xE9; trop compliqu&#xE9;e du fait que mon Ambassade s'est occup&#xE9;e de tout jusqu'au point de me mettre dans une voiture qui m'amenerait &#xE0; Calabar. Malheureusement Calabar n'&#xE9;tait pas la bonne fronti&#xE8;re et j'&#xE9;tais oblig&#xE9; de passer la nuit dans la gare et de revenir sur mes pas le lendemain de plus de 200 km, jusqu'&#xE0; Akom. J'&#xE9;tais avec 4 Camerounais qui n'ont pas p&#xFB; prendre leur b&#xE2;teau &#xE0; destination de Douala la veille. Les nig&#xE9;riens ont essay&#xE9; de nous rendre les choses compliqu&#xE9;es pour nous laisser continuer, mais &#xE7;a n'a pas march&#xE9;, on a rien donn&#xE9;, nique sa m&#xE8;re ! <br>   C&#xF4;t&#xE9; camerounais on est tous (plus une) rentr&#xE9; dans un vieux vehicule 5 places (on &#xE9;tait &#xE0; 7) que devrait arriver &#xE0; Kumba 5 heures apr&#xE8;s selon le c&#xE0;s clinique de chauffeur qui nous a emmen&#xE9;s. Sauf que, &#xE0; peine 2 km de fait et on a trou&#xE9; le radiateur ce que nous a fait revenir en arri&#xE8;re pour le r&#xE9;parer. Puis le gars roulait comme un malade dans une &#xAB; route &#xBB; qu'&#xE9;tait dans un tr&#xE8;s mauvais &#xE9;tat, on a fait 5 crevaisons, bref...on est arriv&#xE9;s &#xE0; Kumba non pas 5 heures, mais 24 heures apr&#xE8;s le d&#xE9;part ! C'&#xE9;tait quand m&#xEA;me assez marrant. Arriv&#xE9; &#xE0; Kumba je ne pense alors qu'&#xE0; emprunter la route menant &#xE0; Douala et faire mon chemin. Il ne me reste plus que 4 jours pour traverser l'ensemble du pays avant d'arriver au Gabon, alors pas de temps &#xE0; perdre, tant que le soleil me donne le privil&#xE8;ge &#xE9;panouissant de ses rayons je marcherai, malgr&#xE9; les plusieurs invitations &#xE0; rester sur place et passer la nuit, surtout de la part des jeunes filles vendeuses de cr&#xE9;dit de portable toujours au bord de la route. J'&#xE9;tais fort &#xE9;tonn&#xE9; de m'en rendre compte qu'il y avait deux langues officielles au Cameroun (anglais et fran&#xE7;ais), que les deux Camerouns se sont reunifi&#xE9;s en 1972 et que depuis les choses se passent plut&#xF4;t pas mal, m&#xEA;me s'il demeure bizarre de voir leurs infos, avec deux pr&#xE9;sentatrices qui interagissent l'une avec l'autre, r&#xE9;petant les m&#xEA;mes infos deux fois, une fois en anglais et l'autre en fran&#xE7;ais. C'est fort.  <br>   Au bout de pas tr&#xE8;s longtemps un gendarme m'a recueilli sur la route et m'a avanc&#xE9; directement &#xE0; Doula. Ce n'&#xE9;tait pas facile en moto, le sac commence a peser sur le dos et au bout de vingt minutes on commece d&#xE9;j&#xE0; a se demander s'il ne serait pas mieux de continuer &#xE0; pied. L'envie de me faire avancer a aid&#xE9; a surmonter la douleur et au bout de deux heures poussi&#xE8;re nous &#xE9;tions arriv&#xE9;s. Contrairement &#xE0; ce que je croyait d&#xE9;j&#xE0;, Romanus n'a pas p&#xFB; m'amener chez lui par crainte de se faire interroger le lendemain par ses superieurs, vu qu'il habite dans une esp&#xE8;ce de caserne hors limite pour les communs mortels, surtout &#xE9;trangers. Je me retrouve donc dans la banlieu d'une grande ville en pleine nuit et je dois commencer &#xE0; penser &#xE0; me faire loger dans un auberge ou quelque chose de ce genre. C'est quand deux jeunes s'approche de l'endroit o&#xF9; j'&#xE9;tais pour papoter avec la fille vendeuse et prenant une certaine curiosit&#xE9;, un parmi eux se retourne vers moi et me demande d'o&#xF9; je viens. &#xAB; L'Angola ! &#xBB;. &#xAB; Ah tiens, mais tu parles portugais dis donc ? &#xBB;. &#xAB; Bien sur &#xBB;. Petite d&#xE9;monstration d'un portugais un peu us&#xE9;, &#xAB; pas mal du tout...tu l'as appris o&#xF9; ? &#xBB;. &#xAB; Eh ben, moi aussi je suis angolais. &#xBB;. QUOIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII ?????????? J'&#xE9;tais completement incr&#xE9;dule. Quelles en sont les probabilit&#xE9;s d'une telle recontre? Cela faisait &#xE0; peine une dizaine de minutes que j'avais &#xE9;t&#xE9; d&#xE9;pos&#xE9; et j'&#xE9;tais maintenant devant un conterrain. Je demande s'il y en a beacoup d'angolais au cameroun, essayant de trouver une logique pour cette rencontre inattendue. Bien s&#xFB;r il m'a fait venir dormir &#xE0; la maison et m'a offert &#xE0; manger. C'&#xE9;tait incroyable ! Je m'avance maintenant vers Yaound&#xE9;, la capital. Je me suis repos&#xE9; deux nuits chez Serge, un des camerounais que j'avais connu dans le v&#xE9;hicule qui nous menaient tous &#xE0; Calabar (Nigeria), il m'a fait go&#xFB;ter la nourriture du pays, que fait d'ailleurs une des plus grandes fiert&#xE9;s des camerounais, l'un des seuls pays au monde ayant atteint l'auto-suffisance alimentaire et avec la classe aussi, le menu pouvant varier &#xE0; chaque repas pendant plus d'un mois si on le veut bien. L'humidit&#xE9; commence &#xE0; &#xEA;tre ettoufante, la transpiration coule en litres, on est en Afrique Centrale. Maintenant direction Gabon !<br><br>      <br>   Logicamente que na sa&#xED;da da Nig&#xE9;ria quiseram me pentear, s&#xF3; que eu usei da minha paci&#xEA;ncia e perseveran&#xE7;a a cada vez com uma s&#xF3; excep&#xE7;&#xE3;o a mencionar, quando cheg&#xE1;mos (estava com aqueles camaroneses que vos falei) ao Sr. da Alf&#xE2;ndega e ele nos pediu sem a m&#xED;nima vergonha na cara 15 mil para nos deixar seguir sem revistar. Barafustei e perguntei porqu&#xEA; que tinh&#xE1;mos de pagar, se estar&#xED;amos a levar contrabando ou algo de ilegal. O kota bravou e me mandou encostar, revistando os nossos sacos um por um com especial aten&#xE7;&#xE3;o para o meu, de onde tirou TUDO, pe&#xE7;a por pe&#xE7;a, desdobrando a roupa e atirando para o lado. &#xAB; O Sr. s&#xF3; est&#xE1; a conseguir provar que pode ser chato, mas pode crer que daqui n&#xE3;o vai levar nem um c&#xEA;ntimo &#xBB;, lhe berrei j&#xE1; bem fatigado da minha vida. O &#xFA;ltimo dread da imigra&#xE7;&#xE3;o quis tamb&#xE9;m come&#xE7;ar a extors&#xE3;o com a mesma frase &#xAB; You overstayed &#xBB;. Lh'expliquei a situa&#xE7;&#xE3;o e desta vez para minha surpresa, total compadecimento com a minha causa. Do lado camaron&#xEA;s foi tudo tranquilo, a maka s&#xF3; come&#xE7;ou com o t&#xE1;xi que ia nos conduzir voado pela desgra&#xE7;a de estrada (picada) que nos levava at&#xE9; Kumba, princ&#xED;pio do asfalto. Viagem de 5h segundo o motorista, mas mal arranc&#xE1;mos, n&#xE3;o conseguimos bater 2 km e furamos o radiador com uma pancada violenta num buraco. Volta mais para tr&#xE1;s para consertar. Foi tanta maka que s&#xF3; cheg&#xE1;mos ao destino 24h e 5 furos depois. Mas deu gra&#xE7;a, depois de atingirmos o destino esquecemos sempre as desventuras que nos atrasaram, o caminho agora &#xE9; para frente, apesar de algumas meninas camaronesas, vendedoras de saldo, tentarem me convencer a pausar e passar essa noite na casa delas. Mhhh n&#xE3;o obrigado, enquanto houver luz do Sol a minha dika &#xE9; mesmo marchar, mas &#xAB; agradeci imenso y&#xE1; ? &#xBB;. Senti-me granda burro quando me dei conta que os Camar&#xF5;es tinham o ingl&#xEA;s como segunda l&#xED;ngua oficial e que havia uma grande regi&#xE3;o totalmente angl&#xF3;fona no Norte. Funciona as mil maravilhas, apesar de ser um bocado estranho ver os notici&#xE1;rios em que duas apresentadoras noticiam a mesma coisa uma numa l&#xED;ngua, outra noutra. Muito do pessoal com quem tive a ocasi&#xE3;o de falar era perfeitamente bil&#xED;ngue. Foi um militar que me apanhou na sua motoca para me levar at&#xE9; Douala (viagem complicada para fazer de mota com um saco de 16 kg nas costas) e depois me fez descer numa &#xE1;rea na periferia da cidade, quando eu j&#xE1; me afiambrava para um convite de alojamento. Explicou-me muito atrapalhado que n&#xE3;o me podia levar para a casa dele porque era num quarteir&#xE3;o reservado aos militares e que se o fizesse iria ser apertado pelos seus superiores. Percebi claro, agradeci pelo empurr&#xE3;o de quase 200 km e deixei-me estar ali naquela pra&#xE7;a onde inquiri umas jovens vendedoras de saldo sobre o s&#xED;tio mais rasca, mais barato para passar a noite, &#xAB; mesmo sem colch&#xE3;o e com 3 paredes, s&#xF3; quero tecto &#xBB;. &#xAB; Aguarda um pouco que eu j&#xE1; vou terminar o meu trabalho e mostro-te uma aqui perto &#xBB;. No aguardar surgem dois indiv&#xED;duos, um dos quais entra em xaxos imediatos com a mi&#xFA;da deixando transparecer que j&#xE1; se conheciam antes. Depois de um lerozito ele vira-se para mim e inicia di mi d&#xE1; conversa : &#xAB; vens daonde e para onde vais ? &#xBB;. O da praxe. S&#xF3; que... &#xAB; sou angolano e estou a voltar para a nguimbi &#xBB;. &#xAB; Ai&#xE9; ent&#xE3;o falas portugu&#xEA;s ? &#xBB;. &#xAB; Claro que sim &#xBB;. Breves instantes de exibi&#xE7;&#xE3;o na l&#xED;ngua do poeta zarolho, num portugu&#xEA;s que ou era muito antigo e enferrujado ou era do futuro, mas bem compreens&#xED;vel e merecedor de um &#xAB; parab&#xE9;ns, onde &#xE9; que aprendeste a falar ? &#xBB;. O t&#xF3;in foi quando ele me retorquiu : &#xAB; &#xD4; tam'&#xE9;m s&#xF4; ang&#xF4;lanu &#xBB;. Ep&#xE1; n&#xE3;o pode ser, isto j&#xE1; &#xE9; um excesso, um abuso, uma hip&#xE9;rbole de coincid&#xEA;ncia. Tentei me controlar e fazer perguntas que fossem reduzir drasticamente a improbabilidade elevad&#xED;ssima do que acabava de me acontecer, do g&#xE9;nero: "Conhecem muitos angolanos aqui? Temos comunidade?". "N&#xE3;o, n&#xE3;o conhe&#xE7;o mais nenhum". O brother, Augusto de seu nome, j&#xE1; girou muito. &#xC9; do Kwanza-Norte, mas fez os estudos todos na Nam&#xED;bia. Fala o ingl&#xEA;s e o pidgin perfeitamente e o franc&#xEA;s tamb&#xE9;m lhe d&#xE1; sem m&#xE1;cula. Acho ali&#xE1;s que fala todas essas l&#xED;nguas muito melhor que o portugu&#xEA;s que acabou por ficar para segundo plano. Um daqueles que se virmos, vamos dizer injustamente n&#xE3;o &#xE9; mangope (ali&#xE1;s aconteceu-lhe uma vez ao passar para Cabinda). O mano tamb&#xE9;m j&#xE1; VIVEU (trabalhou) no Dubai e na &#xC1;frica do Sul, um dread altamente viajado. Deu pit&#xE9;u, deu kubico e de manh&#xE3; se demos xau j&#xE1; y&#xE1;? Que cena.<br>   Continuei para Yaound&#xE9;, a capital pol&#xED;tica, onde passei duas noites sem sequer ir visitar o centro da cidade. Estive com um dos manos que conheci na Niju e me acolheu na casa dele e me deu a conhecer alguns pratos nacionais. Os Camar&#xF5;es (mais um nome dado pelos tugas) s&#xE3;o um dos poucos pa&#xED;ses no mundo que se orgulha de poder dizer que s&#xE3;o auto-suficientes em mat&#xE9;ria de pit&#xE9;u. T&#xEA;m uma enorme diversidade alimentar e o h&#xE1;bito de dizer que s&#xE3;o &#xC1;frica em miniatura, porque tudo o que existe em seja qual for a parte de &#xC1;frica se encontra ali. Comida servida a fartazana e muito barata claro n&#xE9;? O calor &#xE9; demais, a transpira&#xE7;&#xE3;o parece torneira, estou a aproximar-me do equador e o Sol come&#xE7;a a ficar mais alto. Rumo para o Gab&#xE3;o, o meu tempo expirou aqui.<br />
    ]]></content:encoded>
</item><item>
    <title>Nig&#xE9;ria (Eng+Pt) &#x2014; Abuja, Nigeria</title>
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    <pubDate>Wed, 04 Mar 2009 19:35:35 -0500</pubDate>
    <description>Doce Vertigem</description>
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        <table border="0" cellpadding="0" cellspacing="10" align="right" width="250">
            <tr><td valign="top" align="center">
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        <b>Abuja, Nigeria</b><br /><br />Nigeria  was odd. I was expecting it beforehand because all I remember hearing from the vast lands of Nigeria ever since I was a little boy were bad, nasty, vile things. Then, Nigerian music caught my heart, first by the likes of the supreme Fela Kuti and afterwards, gradually, by a host of other rather talented contemporary artists such as Keziah Jones and Asa. The urge of knowing Lagos, see with my own two eyes the infamous Kalakuta Republic (Fela's neighbourhood) and try to breathe the air that inspired such totems became unbearable and the further I got close to it, the harder that desire burnt inside me. Things didn't happen in such a way to favour this visit, so, no hard feelings, but I had to skip Lagos for the time being. The immigration officer on the Benin side was so concerned for my safety, she insisted in getting someone to put me in a taxi and paid for it. That crippled my chances of getting free accommodation with the guy that would have picked me up had I hitchhiked. Plus, we've idled for over two hours before the taxi finally left the border until the vehicle was fully loaded with passengers and that further reduced my chances of making a small tour through Lagos and bumping into my future host. The actual distance to Lagos from the border doesn't go above 130 km but going the first 60 is ABSOLUTE HELL!!! The number of improvised checkpoints every 50 meters and the aggressiveness of the makeshift, money thirst officers, a great number of them not even wearing uniforms (the ones who were being usually rowdy faced, battered with muscles and sporting their AK's in a menacing manner), was absolutely intimidating. I readily assumed this was their very intention: be as scary as possible to better extort money from little scared puppies. My fellow passengers informed me that what I was seeing was nothing; I was lucky it was a Sunday and all of the weeklong sinners had gone to church to confess and purge them, so they could start over the following working day, that usually the checkpoints can be twice as many. Unbelievable. So there I was on the outskirts of Lagos, in a place that looked like a refugee camp where chaos reigned, surrounded by grimy looking individuals going about their (shady) business and giving me unpleasant looks. I ignored them until I was spoken to and when that happened, I didn't allow the time for animosity to settle, a big smile and my full attention were enough to turn a bad intentioned brother into a friendly fellow. Some of these hoodlums who could have easily strip me naked of my belongings in a different occasion, ended up giving me money for the journey, getting me a cheaper ticket for my bus to Abuja, feeding me and telling me about their country, their differences, their struggles.  <br>   6 hours after my arrival, I was on a night bus to Abuja to go see my embassy and ask them for assistance to sort out visas for the following countries. I will spare you the details of the time it took me to find it, the time it took after I did find it to be allowed in my own country's embassy, the incompetence of our diplomatic staff and just tell you that after they finally realised what I was up to, they treated me really well, placed me in a hotel while waiting for the visas to be endorsed, with some pocket money for trivial spending. I even allowed myself some small luxes, such as buying a Mars candy bar made in Saudi   Arabia, tasting as if it has gone past its prime and two Cerelac tins which I devoured in three days. Yummy. I could also take the time to relax and watch the news, all of them bad in a world gone mad. When the passport finally came out, the lack of intelligence of our diplomats once more came under the spotlight when I saw the number of days I was to be allowed in each country and the date from which the visas were to become effective and to expire. We were the 13th of February and the following countries were in this order: Cameroon, Gabon and Congo. The visa demanded by my embassy to the Gabonese embassy was to last 3 days and it started taking effect, imagine... on the 13th of February! Clever hum? <br>   I had mixed feelings about Nigeria, that is out of all countries I've travelled, the first where I found the first unsympathetic people, very rude I'd say, but it would be unfair to quick judge the whole country on those grounds without taking into consideration what differs it from the rest and there is a very key element one should account for: there are about 140 million souls in a soulless society, it's the most populated country in Africa, Lagos alone have some 9 mil (more than the population of London), one is bound to bump into less friendly people to say the least. There were also a lot of nice guys I've spoken to and had the chance to come across. The African spirit is still there, a bit diluted by their very peculiar economical and political reality, but gladly it is still there. I&#xB4;ll be back to know Lagos, that's a promise.<u></u> <br>    <u>  </u><u><br></u><u>  </u><br>     <br>   Nig&#xE9;ria! Para quem acompanha o blog desde o in&#xED;cio sabe que esta seria uma etapa a parte, uma etapa especial da qual n&#xE3;o sabia o que esperar. A viagem foi separada em 4 blocos, a Nig&#xE9;ria sendo o &#xFA;nico pa&#xED;s que por si s&#xF3; constitu&#xED;a um bloco. As suspei&#xE7;&#xF5;es tinham raz&#xE3;o de ser e justificaram-se: a Nig&#xE9;ria &#xC9; MESMO um pa&#xED;s a parte. Logo aos primeiros metros (e n&#xE3;o se trata de uma hip&#xE9;rbole) as autoridades nigerianas garantem que a recep&#xE7;&#xE3;o seja especial e "acalorada", com checkpoints quase violentos a cada 10 metros ainda na zona da fronteira e a cada kil&#xF3;metro uma s&#xE9;rie de 3 ou 4 barreiras de pol&#xED;cias de AK separadas por escassos 50  metros. Todos com ares de poucos amigos deixando a ideia que existe algum tipo de instabilidade no territ&#xF3;rio, ou que andam mesmo s&#xF3; a ca&#xE7;a do sal&#xE1;rio, extorquindo todos os c&#xEA;ntimos poss&#xED;veis aos utentes da via. Resultado, os escassos 130 km da fronteira at&#xE9; Lagos s&#xE3;o um aut&#xEA;ntico inferno. Infelizmente n&#xE3;o consegui oferta para ficar em Lagos a n&#xE3;o ser depois de j&#xE1; ter mudado de ideias sobre ir ou n&#xE3;o a Abuja, a capital. Estava sem kumbu e sem vontade de passar outros 10 dias na fronteira Nig&#xE9;ria-Camar&#xF5;es sem visto, sobretudo de passar esses dias do lado nigeriano onde s&#xF3; me deram 7 dias de estadia. Abuja seja!<br>   Na embaixada me barraram a entrada por causa dos cal&#xE7;&#xF5;es. Um niju m'emprestou as calinas dele que nem fechavam na minha cintura, mas deu para enganar, so que mesmo assim a mensagem que voltava da secretaria era "liga para este n&#xFA;mero para marcar audi&#xEA;ncia que est&#xE1; toda a gente muito ocupada". Eu vociferava raios e coriscos, s&#xF3; que vendo o esfor&#xE7;o impotente da seguran&#xE7;a que n&#xE3;o conseguia passar pela secret&#xE1;ria decidi simplesmente me sentar a frente do port&#xE3;o e n&#xE3;o me mexer dali at&#xE9; que algu&#xE9;m me recebesse. Quando finalmente me fizeram entrar na fortaleza e passei pelo olhar de &#xF3;dio da secret&#xE1;ria, fiquei sem perceber qual era a coisa que mantinha toda a gente t&#xE3;o ocupada que n&#xE3;o pudessem receber um compatriota em dificuldade: n&#xE3;o havia vivalma! Vou evitar falar da compet&#xEA;ncia do nosso corpo diplom&#xE1;tico, pois dizer que &#xE9; duvidosa seria estar a ser condescendente. Quando finalmente perceberam ao que vinha e o que estava a fazer, trataram-me com muita defer&#xEA;ncia e aquele carinho contido de fato e gravata: propuseram-se arranjar-me n&#xE3;o dois, mas os tr&#xEA;s vistos que me faltavam at&#xE9; Angola evitando-me assim uma paragem em Libreville (Gab&#xE3;o), meteram-me num hotel enquanto aguardava que o passaporte fizesse o tour das embaixadas em quest&#xE3;o (Camar&#xF5;es, Gab&#xE3;o e Congo) e um coxe de massa no bolso para refei&#xE7;&#xF5;es e outros mambos. At&#xE9; me permiti a dois luxos: uma barra de Mars que no entanto tinha um sabor estranho, n&#xE3;o sei se era porque tinha apanhado muito sol ou se porque tinha sido fabricado na Ar&#xE1;bia Saudita e duas latinhas pequenas de Cerelac que pitei em 3 dias. Comi muito anan&#xE1;s e plantain (banana p&#xE3;o) e aproveitei para seguir um pouco as not&#xED;cias, vi quando o Scholari foi com os porcos, os fogos na Austr&#xE1;lia e os tornados nos EUA, os ventos cicl&#xF3;nicos na Europa que obrigaram a fechar os aeroportos em Paris e o avi&#xE3;o que caiu em Buffalo, em suma, vi que o mundo continua um antro de loucos onde o simples facto de respirar &#xE9; cada vez mais perigoso, onde a fragilidade do ser humano lhe &#xE9; lembrada com cada vez mais frequ&#xEA;ncia apesar da teimosia deste &#xFA;ltimo em se achar "larger than life". A embaixada deu mais uma bandeira com o pedido dos vistos, nomeadamente com o do Gab&#xE3;o onde s&#xF3; pediram 3 dias a come&#xE7;ar do dia 13. Dia 13 foi o dia em que recebi o passaporte e ainda me faltava atravessar at&#xE9; ao sul da Nig&#xE9;ria e todo os Camar&#xF5;es antes de chegar ao Gab&#xE3;o. N&#xE3;o foi l&#xE1; muito racional, mas &#xE9; naquela base, esque&#xE7;amos isso.<br>   A Nig&#xE9;ria foi um pa&#xED;s particular, mas seria muito injusto da minha parte julgar o pa&#xED;s inteiro pelos maus elementos que tamb&#xE9;m l&#xE1; habitam, pelo menos sem contextualizar um pouco a situa&#xE7;&#xE3;o demogr&#xE1;fica, &#xE9;tnica, religiosa e socio-econ&#xF3;mica altamente complexa que impera nessa grande Na&#xE7;&#xE3;o: s&#xE3;o 140 milh&#xF5;es de cabe&#xE7;as (1/4 da popula&#xE7;&#xE3;o total de &#xC1;frica) num territ&#xF3;rio altamente rico onde essas riquezas s&#xE3;o desequilibradamente divididas, tendo sido criado um fosso abismal entre poucos que ostentam e muitos que gostariam de ostentar. Parece-vos familiar? Hei de voltar para conhecer Lagos, se calhar com o meu dreda Pedro Fazuma.<br />
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    <title>Togo (Eng+Pt) &#x2014; Lome, Togo</title>
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    <pubDate>Fri, 13 Feb 2009 07:48:11 -0500</pubDate>
    <description>Doce Vertigem</description>
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            <tr><td valign="top" align="center">
                <div style="width:250px; border:2px solid #eeeeee;"><a href="http://www.travelpod.com/travel-blog-entries/ikono/1/1234456200/tpod.html">Jump to the full <br />entry &amp; travel map</a></div><br />
            </td></tr>
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        <b>Lome, Togo</b><br /><br />Leaving Accra was somehow easy, but I didn't do it hitchhiking, as it would probably take me a few hours to get lucky just to get on its outskirts. That is the case for any major city, as many of you that have already tried traveling this way may already have experienced. This said, I took a 70 cent tro-tro (collective taxi) from the Atomic Junction to the motorway round-about, about 30 km away from center Accra and started my quest for lifts from there. Eventually, as usual, I ended up being picked by three different people and finding accommodation somewhere along the road, as the last man who picked me up in his cranked up motorbike, dropped me off at his second wife's house where I got superior hospitality treatment, took a nice warm bath, had a very nutritious meal and a almost sound sleep, hadn't it been for the gruesome tooth ache I'd been having since the two previous days. It felt as though the root was rotting away, the gum swell to outrageous proportions giving me a throat gland, acute ear pain and of course, an impossible to keep a smile migraine. Those of you who know me well remember that I don't like to take any drugs at all, but I was compelled to take paracetamol for my smile is one of the very few weapons in my broke travel arsenal. Next day, early in the AM I skipped town and it took me less than 15 minutes until a 4x4 Nissan pickup hit the brakes and reversed to make me hop in. It was a Benin citizen and he was on his way to Cotounou, to where he proposed taking me. What a great, 200 km stretch that would be, taking us out of Ghana and across both Togo and Benin, leaving me a mere 30 km away from the Nigerian border. Problem was, I had to let my ride go due to some complications in my exit of Ghana Republic. Despite the visa being endorsed for 90 days, at the entry immigration officials stamped a 30 day only stay and I went over for at least 20 days. I argued that I was considering the full 90 day visa that my 15 thousand FCFA granted me with, but that didn't move them and they wanted me to pay a 50 cedi (50 bucks) fine. I said HELL NO and they said "then it's jail". So be it. They chucked me in a bare cell where I spent 9 hours until they realized they wouldn't get a single penny from me and let me out. Neither food nor water was given to me, I'd lost my ride and worst, was out in the open at nighttime in totally unknown Lome, just across the border (never seen a capital being the border town). Luckily enough, the beach was just there and immense, so I just camped. I had 67 cedis in my pocket, but I vowed not to give money to greedy police officials on my way out, as I need it much more to get into the following countries, plus I left that cell with my dignity intact, knowing I'd acted right, despite being 147 km behind from where I should be that night.<br> <br>De Accra catei um kandongueiro (tro-tro), com a mochila no meu colo para nao pagar dois lugares, apesar do mambo so custar 70 centimos, cada centimo conta quando nao se sabe o que o futuro imediato nos reserva. Preferi aguentar o calor uma boa meia hora e depois comprar banana assada para enganar o estomago. O carro deixou-me no inicio da Estrada nacional para o Togo e ai comecei a minha, ja bastante habitual, caminhada de dedo esticado. Poupo-vos os detalhes ne? Nesse dia avancei a volta de 80 km, pitei a primeira manga em muito muito tempo e isso fez-me esquecer por alguns minutos a dor de cabeca de proporcoes dantescas que me estava a provocar o meu molar inferior direito. Achei que o dente estava a apodrecer, a gengiva estava inflamada e tinha um ganglio qualquer na garganta e uma dor horrivel tambem no ouvido, deixando-me confuso se o problema era dente ou otite e desarmando-me do meu sorriso e disposicao para dar conversa. Nessa noite aliviaram-me paracetamol e ate as tantas da madrugada dormi bem, mas depois o filme recomecou.<br>No dia seguinte ao bazaar, nao fiz 10 minutos ate que uma Nissan pickup me catasse e o senhor beninense se propusesse a levar-me ate Cotounou, um grande avanco e uma travessia rapida pelo Togo sem passar na casa da partida. Claro que as autoridades ganenses tinham outros planos para mim, nomeadamente o de me extorquirem a quase totalidade dos trocos que me sobravam, mas eu nao deixei ne, preferi perder a boleia do que a massa e a dignidade de pobre viajante. Passei 9 horas na cela sem piteu nem agua e quando eles se deram conta que eu estava a falar a serio (que nao estava), la me deixaram partir. O unico problema agora e que estou em Lome, de noite. Finalmente nao foi um problema porque a praia no periodo nocturno e pacifica e pude instalar a minha tenda com ajuda de alguns calhaus (nao e muito adaptada a areias moles) e ferrar, tanto quanto o meu dente me permitiu, na tranquilidade (com aquele sotaque).<br />
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    <title>Lake Bosomtwe (Eng+Pt) &#x2014; Kumasi, Ghana</title>
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    <category>Travel Blogs</category>
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    <pubDate>Tue, 10 Feb 2009 04:41:50 -0500</pubDate>
    <description>Doce Vertigem</description>
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        <table border="0" cellpadding="0" cellspacing="10" align="right" width="250">
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                <div style="width:250px; border:2px solid #eeeeee;"><a href="http://www.travelpod.com/travel-blog-entries/ikono/1/1233651240/tpod.html">Jump to the full <br />entry &amp; travel map</a></div><br />
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        <b>Kumasi, Ghana</b><br /><br />After the Western Region we headed straight to this Lake, where I took my time to do some relaxing, except for the first day when we hiked the mountain to get to the actual Lake, close to a hour and a half hike. A nice one though if it weren't for my Michael Jackson's moonwalking slippery sneakers. Still we managed to stay out of trouble, no broken legs, twisted ankles or anything of the sort. The boys were frightened to get into the lake as there is some mysticism surrounding it, some tales about perfect swimming tourists unexplainably drowning, but this could hardly be surprising innit? <br><br><br>   Lago. Subida e descida da montanha em mais ou menos 1h e meia. Dificil por causa dos sapatos que estao muito gastos e ja aguentaram bem em Marrocos, mas ja estao a pedir pao, nao da para lhes abusar mais. Ficamos assim. Descansei. Agora tou cansado e quero ir dormir, mas e o ultimo dia com esta bodega entao estou a upload tudo ja. Depois so ouvem de mim ja em Cabinda eheh. Epah xau.<br />
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